quarta-feira, 2 de março de 2011

CARNAVAL - O AVÔ DO TEATRO

Ler a história do teatro ocidental é ler a descrição do carnaval baiano. Lembro-me das primeiras aulas de Luiz Marfuz - Fundamentos do Espetáculo - onde ele descrevia as festas dionisíacas. Dizia que as pessoas passavam dias a brincar pelas ruas, cantando, dançando, usando fantasias para não serem descobertas. O sexo era livre e e a orgia comia solta (mesmo)!!!

Era o lado dionísiaco da existência, em oposição ao lado apolíneo.

Sempre pensei que o teatro deveria continuar dionisíaco, não apenas por apego ao nome do deus do qual é devoto, mas porque tornando-se deveras apolíneo como me parece ser hoje, perdeu boa parte de seu contato direto com o público.

Ver desfiles de carnaval no Rio de Janeiro, ou mesmo as imagens do carnaval de Veneza ou acompanhar a esbórnia das ruas de Salvador é meio que revisitar esse nosso vovô querido, o teatro do prazer e da participação popular.

Margot Berthold, em História Mundial do Teatro (2001)  nos lembra:

"Os festivais rurais da prensagem do vinho, em dezembro, e as festas das flores em Atenas em fevereiro e março, eram dedicadas a Dioniso, deus do vinho. As orgias desenfreadas dos vinhateiros áticos honravam-no, assim como as vozes alteradas dos ditirambos e das canções báquicas atenienses. Quando os ritos dionisíacos se desenvolveram e resultaram na tragédia e na comédia, ele se tornou o deus do teatro.
O teatro é uma obra de arte social e comunal: nunca isso foi mais verdadeiro do que na Grécia Antiga. Em nenhum outro lugar, portanto, pôde alcançar tanta importância . A multidão reunida no theatron não era meramente espectadora, mas participante, no sentido literal. O público participava ativamente do ritual teatral, religioso, inseria-se na esfera dos deuses e compartilhava o conhecimento das grandes conexões mitológicas"

Acho que quando dançamos coreografias lindas e entoamos canções populares, inspiradas no cotidiano ou em pontos de candomblé, estamos de alguma forma compartilhando deste conhecimento, ainda que apenas de forma subjetiva. As canções genuinamente baianas como muitas de Brown, cantadas por Daniela, Margareth, ou mesmo os pagodes maravilhosos do Gerasamba e seus herdeiros, são sim, uma conexão com o sagrado. (Leia post sobre futebol e teatro: http://futeboldeartista.blogspot.com/2011/03/carnaval-alma-gemea-do-futebol.html)

Obviamente muita coisa mudou da Grécia Antiga pra cá. Sinto, porém, que no carnaval de Salvador estamos vivendo mudanças pequenas mas consideráveis. Não seriam os camarotes o apassivamento do folião? Ali, naquele espaço, além de se ausentar da festa em si, da comunhão e da união com o outro, o folião de camarote tem uma perspectiva que é a de olhar. Disputam a tapa um espaço na berada do camarote para ver a estrela passar. O camarote me parece uma outra festa, festa dentro da festa, dizem, mas para mim é mais do que isso, ou melhor, é o oposto disso, é uma festa fora da festa. Quem vai para o camarote, em termos de viver a festa, poderia ir para um camarote que estivesse na paralela. Sua relação com o carnaval de fato é puramente de espectador, Ele vê o carnaval passar e, quando passam as estrelas, volta para sua festa privê: sem o outro, sem sujeira, sem pobreza, sem troca. Só conforto!!! Enfim...

Amanhã carnaval e teatro se encontram no bloco Os Mascarados. Meu adorado Lenine estará em cima do trio e eu hei de estar lá, no meio da festa, vivendo este momento lindo de encontro e felicidade. Que as interpéries do carnaval não cheguem a mim. Elas existem, porque carnaval é vida e vida é risco. Quero o quenta da rua, quero o risco - mesmo que ele me assuste. Quero a sabedoria da pipoca, nem que seja de longe, como quando o Chiclete com Banana passa pela Avenida. A passagem do Chiclete merece (se é que num já tem) uma tese antropológica.



Que venha a Festa!!!



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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ABERTURA DO ANO LETIVO PELA PRESIDENTA DILMA ROUSSEF

Queridas brasileiras e queridos brasileiros.

Nossos jovens estão de volta às aulas. A abertura do ano escolar é sempre uma festa de alegria, de fé e de esperança. É com esse sentimento que saúdo os estudantes, seus pais e, muito especialmente, todos os professores brasileiros.

Estou aqui para reafirmar o meu compromisso com a melhoria da educação e convocar todos os brasileiros e brasileiras para lutarmos juntos por uma educação de qualidade. Vivemos um momento especial de nossa história. O Brasil se eleva, com vigor, a um novo patamar de nação. Temos, portanto, as condições e uma imensa necessidade de darmos um grande salto na qualidade do nosso ensino. Um desafio que só será vencido se governo e sociedade se unirem de fato nesta luta, com toda a força, coragem e convicção.

Nenhuma área pode unir melhor a sociedade que a Educação. Nenhuma ferramenta é mais decisiva do que ela para superarmos a pobreza e a miséria. Nenhum espaço pode realizar melhor o presente e projetar com mais esperança o futuro do que uma sala de aula bem equipada, onde professores possam ensinar bem, e alunos possam aprender cada vez melhor. É neste caminho que temos que seguir avançando com passos largos.

É hora de investir ainda mais na formação e remuneração de professores, de ampliar o número de creches e pré-escolas em todo o país, de criar condições de estudo e permanência na escola, para superar a evasão e a repetência. E, muito especialmente, acabar com essa trágica ilusão de ver aluno passar de ano sem aprender quase nada.

É hora de fazer mais escolas técnicas, de ampliar os cursos profissionalizantes, de melhorar o ensino médio, as universidades e aprimorar os centros científicos e tecnológicos de nível superior. É hora de acelerar a inclusão digital, pois a juventude brasileira precisa incorporar, ainda mais rapidamente, os novos modos de pensar, informar e produzir que hoje se espalham por todo o Planeta. Em suma, esta é a grande hora da Educação brasileira. Isso só será possível se cada pai, cada aluno, cada professor, cada prefeito, cada governador, cada empresário, cada trabalhador tomar para si a tarefa de acompanhar, discutir, cobrar, propor e construir novos caminhos para a nossa Educação. Como Presidenta, como mãe e avó, darei tudo de mim para liderar esse grande movimento.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros.

Pouco mais de um mês depois de assumir a Presidência, tenho algumas coisas a anunciar na Educação. Vamos lançar, ainda neste trimestre, o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica, o Pronatec, que, entre outras vantagens, levará ao ensino técnico a bem-sucedida experiência do ProUni.

Estamos também acelerando a implantação do Plano Nacional de Banda Larga, não só para que todas as escolas públicas tenham acesso à internet como, também, para que, no médio e longo prazos, a população pobre possa ter internet em sua casa ou no seu pequeno negócio a preço compatível com sua renda.

Informo, também, que o governo está tomando medidas para corrigir e evitar falhas no Enem e no Sisu, pois é fundamental aperfeiçoar e aumentar a credibilidade destes instrumentos, que são muito importantes na avaliação do aluno e da escola e, portanto, na melhoria da qualidade do ensino.

Para concluir, reafirmo que a luta mais obstinada do meu governo será o combate à miséria. Isso significa fortalecer a economia, ampliar o emprego e aperfeiçoar as políticas sociais. Isso significa, em especial, melhorar a qualidade do ensino, pois ninguém sai da pobreza se não tiver acesso a uma educação gratuita, contínua e de qualidade. Nenhum país, igualmente, poderá se desenvolver sem educar bem os seus jovens e capacitá-los plenamente para o emprego e para as novas necessidades criadas pela sociedade do conhecimento.

País rico é país sem pobreza. Este será o lema de arrancada do meu governo. Ele está aí para alertar permanentemente a nós, do governo, e a todos os setores da sociedade, que só realizaremos o destino de grandeza do Brasil quando acabarmos com a miséria.

Sem dúvida, essa é uma tarefa para toda uma geração. Mas nós temos determinação para realizar a parte importante que falta, para que a única fome neste país seja a fome do saber, a fome de grandeza, a fome de solidariedade e de igualdade. E para que todos os brasileiros possam fazer da educação a grande ferramenta de construção do seu sonho.

Muito obrigada e boa noite.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Drama de Jogador - By Victor Cayres

Não, não é mais um blog sobre futebol e teatro. Quer dizer, não necessariamente. É o blog do querido colega Victor Cayres que nesta quinta-feira (04/02) estará defendendo sua pesquisa de mestrado, no Salão Nobre da Escola de Belas Artes. Ele pesquisa a dramaturgia de jogos virtuais.

Por sua pesquisa e por seu blog, ele é o mais novo membro do AS PESQUISAS QUE EU RECOMENDO.

Clique aqui e veja mais detalhes:

http://artedoespectador.blogspot.com/p/bibliografia-sobre-o-espectador.html

domingo, 30 de janeiro de 2011

DE FRANCISCO A CHICO - Um Beija Flor do nosso cinema


Acabou na sexta-feira última a série Chico Xavier, da Rede Globo, uma extensão do filme de Daniel Filho que representa um dos grandes sucessos de nosso cinema.

Independente de minha atual curiosidade pela doutrina espírita - provocada justamente pela apreciação do filme - o interesse pelo filme enquanto produto artístico é inevitável. O filme é de um cuidado e rigor estéticos que deixam no espectador uma sensação de acolhimento, de respeito e interesse pelo público por parte de quem o produz. Acho que as inovações na construção das cenas - como a explosão das telhas na primeira psicografia, as imagens da estação de São Leopoldo - apontam para uma libertação dos modelos televisivos que dominam as produções da Globo Filmes.

Mas, se o roteiro do filme - adaptado da obra de Marcel Souto Maior - é uma preciosidade, se a direção é afinada e delicada, se as locações são de um apuro apreciável, nada se pode comparar ao trabalho do elenco, com seus famosos e desconhecidos fazendo um trabalho primoroso de interpretação. Christiani Torloni e Cássia Kiss formam uma dupla comovente. Tony Ramos sempre competente e carismático. Giovanna Antoneli soberba. Luiz Melo, Pedro Paulo Rangel, Osvaldo Mil, Carla Daniel, Letícia Sabatella, Giulia Gam e tantos outros se esmeram em construir um filme tocante. Nelson Xavier e o menino Matheus Costa fazem um Chico humano, amigo, querido.



Mas Ângelo Antônio... ah, este supera-se de forma apaixonante. Eu já o tinha nas contas de um dos maiores atores do nosso cinema desde Dois filhos de Francisco, onde, vivendo um outro Francisco, ele faz um trabalho visceral, que dá liga a todo o filme. Mas em Chico Xavier, realmente ele superou tudo o que havia feito até aqui. Seu comportamento corporal, suas expressões de rosto, seu sorriso, seu olhar, conseguem materializar toda a paz e amor que Chico Xavier emanava. Se Nelson Xavier parece-se incrivelmente com Chico, na dimensão física e material, é Ângelo quem traduz toda doçura, segurança e conforto que se reconhece no médium.

Por conta do impacto provocado na obra em mim, fui estudar a doutrina. Li Alain Kardec, assisti Nosso Lar (que acho um equívoco do ponto de vista estético) e estou assistindo ao programa Pinga Fogo (DVD com as duas entrevistas históricas do ano de 71 que estão em boa parte do filme). É impressionante a paz que a presença de Chico inspira, mesmo em vídeo. E é impressionante como vendo-o a semelhança com Nelson Xavier é grande, mas a gente percebe a qualidade do trabalho de Ângelo, pois é o Chico jovem que parece ser evocado, através da energia, do tempo da fala, do sorriso.

Ainda tenho minhas questões com a doutrina. Cheguei à conclusão que sou mais 'Chico Xavierista' do que Kardecista, pois me convoca muito mais o amor pregado por Chico Xavier do que as teorias que pra mim soam por demais classistas presentes no discurso do francês.

Votlando a assistir ao filme, porém (agora extendido em série, depois de eu ter assistido umas 6 ou 7 vezes antes) chego à conclusão que sou Ângelo Antonista. Que o que me convoca e me atrai - pelo menos o que serviu como ponto de partida para a experiência de pesquisa sobre o tema - é a experiência estética. Vendo Ângelo Antônio em cena, penso em como gostaria de fazer cinema (lembrem-se que sou atriz). Como é lindo dar vida a um personagem, a uma idéia, evocar multidões através de sentimentos, enfim, realizar uma viagem dentro da experiência humana de cada um através de um trabalho. Da dedicação de estudar, ler, pesquisar, fazer, doar-se, ser um outro alguém. Um trabalho desses requer dedicação, amor e me convece de que a produção artística é um trabalho sublime, especial, transformador.

Eu tenho muito orgulho de ser artista e espero que possa transformar vidas, tocá-las ao menos, como este filme (e tantas outras obras de arte, obviamente) fez comigo. Acho que estes artistas têm algo de especial por promoverem amor em quem os assiste e o encontro entre o tema do filme e sua realização prática, nem estão tão distantes assim.

Deixo então registrada minha profunda admiração pelo trabalho do ator Ângelo Antônio, que com maestria e delicadeza me levou para um novo lugar, me convocou a uma pesquisa da doutrina espírita e mais que isso, uma pesquisa de mim mesma. Neste ponto, doutrina espírita e experiência estética têm para mim um papel muito semelhante que é esta busca por respostas  dentro ou fora de mim. E Viva o espírito artístico! E Viva a encarnação da experiência estética!




http://www.chicoxavierofilme.com.br/


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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A NOITE DO TEATRO BAIANO



Já fez um mês o lançamento oficial do livro, mas eu vou comentar assim mesmo.

Meu querido amigo, o grande jornalista, pesquisador e escritor Marcos Uzel, lançou no vão do TCA, no dia 20 de dezembro de 2010 o seu mais novo livro sobre o teatro na Bahia. A NOITE DO TEATRO BAIANO é uma retrospectiva do Prêmio Braskem de Teatro durante os últimos anos, com todos os nomes que ele já teve: Bahia Aplaude (para mim o mais bonito), COPENE eo atual  BRASKEM.

Todos nós do teatro de Salvador, sabemos que a noite de entrega do Braskem é a noite do Oi (não da OI). Toda a classe está lá: os indicados e os que ficam lá na fila Z125 (ao pé do Caboclo do Campo Grande) perguntando porque ainda não e quando estarão nas filas A, B e C, como concorrentes e quem sabe um dia, lá em cima, como vencedores. Eu faço parte deste segundo grupo, viu gente... disfarça.

Mas, passada a dor de não ter sido indicado nunca, a gente curte a indicação dos amigos, o grande espetáculo a la Oscar que se apresenta para nós e o delicioso coquetel que todo aluno da escola de teatro se esbalda...

Mas, deixando a bobagem de lado, o livro é um importante registro sobre o que temos feito nestes últimos anos. Claro que ele não contempla todas as produções do período (as minhas por exemplo...) mas qual publicação realizaria tal milagre? Nenhuma, até porque ninguém jamais saberá tudo o que se faz de teatro nesta ou em qualquer outra cidade do mundo.

O belíssimo prefácio de Cleise Mendes fala da festa que é o teatro, relacionando-a com a festa da premiação. Em seguida, encontramos um valiosíssimo registro de datas, imagens, fatos e acontecimentos que marcaram as produções de 17 anos de teatro na Bahia. O ponto de partida é a premiação de cada ano e paralelo a isso vão sendo narradas histórias do ano em questão e de como se comportou o cenário soteropolitano. As considerações sobre os atores, diretores e demais profissionais do palco além dde considerações sobre as obras também representam um importante registro histórico de nosso teatro.

Na graduação e na pós em teatro, aqui em Salvador e acredito que em boa parte do Brasil fora do eixo RIO-SP, nos deparamos com a falta de publicações sobre nossa história, sobre nossos questionamentos, nossas pesquisas. Muitas coisas de qualidade estão sendo feitas no PPGAC (Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas) da UFBA, mas vamos e venhamos, quem lê dissertação e tese??? Precisamos mesmo de bons livros e de livros que venham de diferentes origens: da academia, da prática artística, da prática jornalística. Algumas pesquisas têm sido publicadas como a de Jussilene Santana, mas isso ainda é só o começo.

O livro de Uzel tem um impacto muito importante porque é um livro repleto de vida, de reflexões que partem de um cotidiano que nos diz respeito. Sua obra nos acolhe quando encontramos caras e fatos tão próximos de nós e ao mesmo tempo tão relevantes que nos assustam.

Estávamos acostumados a ver, em belas páginas de couché brilhante, fotos de ídolos, de fantasmas com os quais jamais convivemos. Parecia que a história só era possível assim, feita de fantasmas. E de repente, estamos lá, nós, nossos amigos, mestres, companheiros... num importante livro de História do Teatro.



Espero que Uzel continue publicando sobre teatro, como tem feito já há algum tempo, espero que a Braskem e outras empresas invistam mais nestas publicações e em outras iniciativas do tipo. Espero estar na próxima edição do livro sobre a premiação (rsrsrs), e espero que a gente continue fazendo teatro lindamente como temos feito há tanto tempo.

Espero que olhar no espelho seja tão bom como foi olhar para as telas da TV e do cinema durante tanto tempo. Espero que continuemos apostando na força criativa do povo baiano e que sigamos inventando o novo, seja reinventando o velho, seja explodindo estrelas...

Obrigada, Marquinhos, por tão lindo documento, cheio de sentimento e repleto de significado para nossa classe. Ele é um importante instrumento para registrar o que fomos, para apontaro que somos e para nos propor o que queremos, podemos e merecermos ser.

As fotos do lançamento são de Paulo Sousa  e eu peguei lá neste link:
http://www.bahiavitrine.com.br/ver_evento.aspx?eveid=5249








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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A SAÍDA DO SECRETÁRIO

Estava meio que sem assunto para retormar este blog, como já fiz com o de futebol. Mas, agora, dando uma voltinha na net, vi que os novos secretários de Wagner para o segundo mandato estão sendo indicados e achei um bom motivo para falar de teatro.

Eis que entre a lista dos secretários que vão permanecer não contém o nome de Márcio Meirelles, na Secretaria de Cultura. Isso, eu lamento muito. Talvez ele mesmo tenha pedido para não continuar, como já alguns me tinham cogitado no ano passado. O que não diminui os motivos para eu lamentar.

A gestão de Márcio foi, para mim, uma gestão digna da inauguração de uma Secretaria Estadual. Seu compromisso com a arte, seu talento e sua gentileza e simpatia, eu já conhecia. Sua competência na gestão do Vila também, mas sua coragem e sua força em enfrentar as adversidades foram para mim uma grande revelação. Não que eu não soubesse de sua vitória contra problemas graves de saúda na década de 90, mas aguentar o que ele aguentou da própria classe, foi realmente para mim, admirável. E ao lado da força com que conduziu a pasta, tenho que comentar também da classe e da elegância com que tratava seus detratores. Tive a honra de ir a algumas reuniões da classe e ver a forma como ele conseguia apagar alguns incêndios provocados pelos mais exaltados, que muitas vezes acabavam por fugir ao foco da reunião. Via e aprendia que manter a calma sem perder a autoridade que a situação permite e exige, é a melhor forma de continuar de pé, pronto para andar para frente.

Sua política de interiorização das ações da Secretaria e da FUNCEB foi definitiva para o avanço incomparável que temos nas cidades de nosso estado, sejam elas grandes ou pequenas. A disseminação dos Pontos de Cultura, os cursos oferecidos aos grupos de tantas cidades do interior, a realização das Conferências, o apoio aos atistas de rua e à Cooperativa Baiana de Teatro, os editais e sua divisão entre interior e capital, a chuva de Festivais que ainda rega nosso fazer teatral são marcas destes 4 anos de sua gestão.

Quero então, meu admirado Márcio Meirelles, torcer para que você continue na vida política, por mais que isso lhe seja um sacrifício, porque você fez seu dever muito bem e pessoas com esse talento têm a tarefa de ajudar na construção de um mundo mais justo. Você é corajoso, inteligente, de vanguarda e precisa estar nesse palco da vida política para que nós possamos continuar avançando.

Obviamente que cabe a nós também construirmos ao seu lado e ao lado dos demais batalhadores da cultura o cenário que desejamos. Mas a tarefa de enfrentar a burocracia, de fazer alianças e acordos, de recuar um passo para avançar dois não é coisa fácil e nem todo mundo tem o know-how. Assim, é preciso que ocupemos os lugares para os quais temos competência. De que adianta boa vontade, sem saber fazer? Sobretudo neste lugar tão ingrato que é o mundo político?

Espero que seu sucessor tenha olhos para o povo do interior como você teve. Espero que tenha sua coragem e sua delicadeza. Espero que tenha uma visão humanística da arte e artística da humanidade. Espero que faça uma grande gestão como foi a sua.

Espero ainda, que você tenha muita saúde e que sua vida profissional continue operando maravilhas como tem feito até aqui, para todos nós que temos o prazer de assistir às suas obras quer sejam elas artísticas ou políticas.

Obrigada pelos anos de dedicação à cultura e à arte na Bahia. Como atriz, professora de teatro, pesquisadora e espectadora eu só tenho a agradecer.

Grande abraço. Fique com Deus.



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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FIM DE ANO, FIM DE FEIRA...


É gente, por mais que eu tenha prometido voltar logo, com textos melhores, mais cuidados eu acabei por abandonar o meu blog querido por muito mais tempo do que esperava.

Até a semana passada o motivo era a correria, pintando e arrumando a casa, encerrando semestre de doutorado, de aulas, viajando, enfim, aquela correria.

Agora o omotivo é o oposto. Maresia total. A canseira bateu, fiquei meio lerda e passo dias sem acessar a net. Minha família está aqui e a vida real é bem mais interessante do que a tela.

Porém, mais uma vez eu mecomprometo que no comecinho do ano que vem eu volto, com novos temas, novos textos, novas questões futebolísticas, artísticas e de vida, que eu adoro falar dela, pra gente conversar.

Foram tantas coisas neste ano bom de 2010. O blog, por exemplo, é de 2010 e foi uma grande realização para mim. E a primeira divisão? Afi... E Dilma? E todos os amigos maravilhosos que fiz e que reencontrei.

Bom, isso não é um post de retrospectiva, por isso vou ali que 2011 tá na janela.

Um grande abraço a todos, boa virada de ano. Muita alfazema, sal grosso, praia e incenso porque se não fizer bem, mal num faz.

Paz e saúde pra nós. O resto, é trabalhar.

É bolada, 2011!!!

sábado, 4 de dezembro de 2010

COQUEIRO E CHAMINÉ

Eu desenho desenho de crianças.
Esses desenhos foram decalcados em mim.
Procuro minha própria chaminé.
Mas o que encontro é a antena espinha de peixe.
Encontro o tanque do banheiro, de cuja laje mijei pra baixo tentando ser homem.

Minha mãe pegou, bem na hora.

Tem lodo na telha de amianto.
Antes de amianto, se chamava de eternit.

O céu de Conquista é tão bonito.
O sino toca às seis da tarde.
'No crepúsculo do dia: seis horas' dizia o homem da Rádio Clube FM.

Borboletas, flores e estrelas. Acho que nasci para flutuar. Não sou nunca pássaro, não sei voar. Avião, não gosto nem de olhar.

Bolsas grandes são como a vida: bonitas, cabe-se de tudo, mas sempre é uma bagunça, não encontro nada.
Mas tudo nela combina comigo.



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TORÇO - RASTROS DO PROCESSO CRIATIVO - fotos hannah abnner








segunda-feira, 29 de novembro de 2010

TORÇO - TORSO

Estou envolvida com uma atividade da Profª Sônia Rangel, da disciplina Processos de Criação, onde nossa tarefa é conseguir transportar o princípio da nossa pesquisa numa obra artística.

A atividade é desafiadora e tem-me tomado boa parte do pouco juízo que eu tenho. Mil coisas passam pela cabeça, dessas mil a gente dispensa mil e quinhentas e pensa de novo e se pergunta e não se responde, e visualiza o negócio pronto.

Eu tenho um processo de criação que experimentei em Solo Compartilhada que parte muito de idéias e que se concretiza apenas diante do público. Vou organizando no papel roteiros do que penso ser o produto final e isso vai tomando rumos sempre diferentes. Essa criação acontece todo o tempo. No ônibus, no banho, no vaso sanitário, dormindo, lavando louça...

Não consigo ensaiar as cenas, apenas visualizá-las. Texto meu, também não consigo colocar a priori. Escolho textos de autores com os quais identifico proximidades no processo de criação e eles preenchem algumas cenas. Pela experiência do Solo, textos meus acabam entrando, mas sempre na cena, no quente, na frente do público.

Não estou inventando nada. Minha inspiraçaõ primeira vem de Denise Stoklos e seu Teatro Essencial. Além de fazer um trabalho baseado em minhas próprias experiências, o que trago de mais forte é o fato de viver o risco ali, na frente do público, onde o processo artístico há de acontecer, como um artista de circo, que vai para o tudo ou nada. Claro que meu risco é menor, posto que não é físico, mas garanto, o medo é enorme, e, segundo Denise, é essa possibilidade do medo do ator, de sua coragem de encarar o risco que atrai o público.

No caso do futebol o momento é parecido. O jogador que passa pelo túnel que o leva do vestiário ao gramado, não sabe qual seráo resultado. Não sabe se vai fazer ou perder um grande gol. Não sabe se vai se machucar, levar uma porrada definitiva. Vai para o tudo ou nada. Uma verdadeira batalha de baixo do sol, regada a muito esforço físico. E isso encanta!!!

Bom, amanhã estarei entregue à força da cena. A inspiração inicial e que permanece como princípio é a imagem do alambrado e a polissemia da palavra torço (que se manuscrita podemos brincar com o s ou com o ç, alcançando diferentes sentidos).

Torço para que meu torso aguente.
Torço para que um torço me enfeite!

domingo, 28 de novembro de 2010

HOJE TEM ESPETÁCULO? TEM, SIM SENHOR!!!!

Final de ano é uma delícia em Salvador.

É verão, praia, ensaio de bandas para o carnaval.

Mas, é também a alta temporada de estréias no teatro.

Assim, tô aqui com a agenda cheia, sem dar conta de tudo. Tem O pragama, de minha querida amiga Ana Paula Antar, que eu já divulguei aqui. Tem As velhas, do meu mestre querido Luiz Marfuz. Tem Dias de Folia de Jacyan Castilho, tem A Bença do Bando, tem a volta de MPB - Mulher Popular Brasileira da É cia de Teatro, parceira de Cooperativa. E tantas outras que eu com certeza deixei de comentar mas que vale a pena conferir. Em época de final de campeonatos de futebol, o teatro baiano decola e nos convida a experimetarmos essa vida paralela, esse universo possível, esse mundo inventado.

A gente se encontra por aí, numa platéia qualquer desses teatros soteropolitanos.

sábado, 20 de novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

DEZ MINUTOS COM PAULO HENRIQUE ALCÂNTARA

Que Paulinho é um grande amigo, muita gente já sabe.

Juntos já fizemos poucas e boas no Cuida Bem de Mim, no doutorado, na vida. Uma grande amizade, regada a muita admiração profissional. Seus espetáculos têm a marca do primor e do cuidado. Bolero, Lábios que Beijei e a mais recente Partiste são algumas das obras escritas e dirigidas por ele. No doutorado, onde somos colegas, Paulinho investiga o lugar da memória na escrita dramatúrgica, de onde deverá sair, para nosso deleite, uma trilogia dramática.

Aproveitem este momento descontraído, com uma linda paisagem verde no assustador frio de novembro na Paulicéia Desvairada.

Clique no link: http://artedoespectador.blogspot.com/p/dez-minutos-com.html

sábado, 6 de novembro de 2010

EU E RUBEM ALVES - A Professora e sua referência



"As nossas escolas são construídas segundo o modelo das linhas de montagem. Escolas são fábricas organizadas para a produção de unidades psicossociais móveis, portadoras de conhecimentos e habilidades. Esses conhecimentos e habilidades são definidos por agências externas para quem se conferiu autoridade para isso. O modelo estabelecido por estas agências é obrigatório e tem a força das leis. A unidade psicossocial móvel que ao final do processo não estiver de acordo com tais modelos é descartada. É a igualdade que atesta a qualidade de nossos serviços. Não tendo sido aprovado no teste de qualidade-igualdade a unidade psicossocial móvel não recebe o certificado ISO 12000, vulgarmente conhecido como diploma." RUBEM ALVES

Quem já viu o espetáculo Solo Compartilhada ou já participou de uma aula minha, muito provavelmente conhece estas palavras. Ou conhece as aventuras de Dinéia dos vídeos dos quatro pilares, ou algum conto ou aforisma deste bondoso senhor.

Rubem Alves é teólogo, professor, escritor, filósofo e grande comentador da experiência humana. Também dizem que ele é escritor de livros de auto ajuda, o que significa dizer, hoje em dia, que é filosofia barata. Eita que a distinção corre solta e não pode um autor ficar popular que já se esmeram os sabidinhos em lhe tirar qualquer valor, menosprezando não só o público que o consome, como também sua obra a partir daí.

O fato é que muito do que digo e pratico no meu dia-a-dia com meus filhos, com meus parceiros de educação (estudantes e colegas), com amigos, conhecidos e mesmo desconhecidos é fruto das leituras que faço de sua obra. De linguagem simples e sabedoria impressionante, os textos de Rubem Alves assustam pela possibilidade de realidade que exalam quer de suas páginas quer de sua doce voz.

Esta foi a segunda vez que tive o prazer de assistir a uma de suas palestras. Na outra, não tinha ido tão longe. Desta vez eu dirigia um evento da SEC (TAL - Tempo de Arte Literária - um concurso de Literatura realizado pelo Governo do Estado em todas as escolas da capital e interior - sim, importantes coisas tem sido feitas sem que a gente conheça) e a abertura seria feita por ele.

Tive o prazer de conhecê-lo no hotel onde almoçamos e trocamos algumas palavras. Peguei autógrafo e tirei umas fotos, como toda tiete. Depois de José MIguel Wisnik e Rubem Alves, quem sabe eu não encontro Adélia Prado lá em Sampa? Ou outro autor que me convoca? Bom, é isso. Curtam as fotos e visitem o site. Se for auto-ajuda, melhor, que todo mundo precisa né. Já imaginou o sofrimento de viver à base de auto-boicote? Se  você tiver experiência no meio pedagógico, com certeza vai encontrar importantes pistas de uma educação radicalmente nova, radicalmente mesmo.

P.S.: Para os desavisados, a loira sou eu mesma, viu. Coisas de mutante. O rosa é da foto, na hora a gente tira com o equipamento que aparecer, meu bem.








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