Ouvindo Michael Jackson,
"and they say: why? why?"
Sua voz me comove quando estou bem, pense quando estou assim, neste intervalo de alma...
Olhando fotos de hoje e de outrora sinto uma tristeza que a máquina capta, registra e nos entrega. O puncto de Barthes é meu olhar tristonho e cansado.
Sou uma jovem senhora cansada.
Dos cabelos brancos à celulite, tudo em mim envelhece.
Afi, entra Gonzaguinha... Será que eu te aguento?
"Coisas dessa vida tão cigana. Vontade de chegar e olha eu chegando e vem essa cigarra no meu peito já querendo ir cantar em outro lugar..."
Mas o olhar na foto... este não tem tinta nem jeans que esconda.
Talvez outros nem percebam, mas eu que sei dos olhares que já tive, grandes olhos árabes dando voz ao olhar curioso e apaixonado de adolescente tão esfomeada que fui um dia.
Tantos sinais de mudança. Tantas convocatórias.
E os planos? E os desejos? Chora essa saudade estrangulada.
Saudade da porra de mim.
Eu era um projeto tão legal.
É preciso, mais que nunca, prosseguir.
Pra onde, Gonzaguinha?
Ai, que agora sento em frente à Tabacaria de Pessoa e simplesmente sou.
"Que sei eu do que serei, eu que nem sei quem sou?"
Os mesmos erros. As mesmas dúvidas chatas, como as nuvens de Ariano.
Sometimes I fell like a motherless child.
Essa playlist vai me matar.
Não consigo me concentrar.
Angústia e tristeza são bichos ruins. O mundo perde o brilho.
"Todo dia a gente vai dormir pensando em acordar amanhã. Mas quando a gente acorda, sempre ainda é hoje." Iracy, minha mãe.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Em Jequié - porque a vida me quer!
É, meus leitores.
Já se foram quase trinta dias e este blog assim, com umas teiiinhas de aranha.
Mas, sei que todos meus queridos leitores e amigos entendem.
Agora, de volta à vida e às coisas, pessoas e acontecimentos lindos que ela tem para me oferecer, o que me mantém afastada desse blog-mundo que eu tanto amo é a correria do dia-a-dia desta professora de teatro. E como professora trabalha, gente, benzadeus...
Descobrir Jequié com suas montanhas encantadas tem sido uma tarefa doce, mas corrida. Corrida como suas motos barulhentas.
Os dois recém criados cursos de Licenciatura em Teatro e Licenciatura em Dança, dos quais tenho a honra de ser professora tem sido uma grande experiência educacional e artística, além de social e humana, nunca demasiado, mas sempre humana.
Ter a oportunidade de pensar estes dois cursos no seu nascedouro, estar entre amigos, participar de reuniões divertidas e ao mesmo tempo produtivas (sim, isso é possível!!!) tem me deixado bastante feliz! Já são quatro turmas agora e a cada ano serão mais duas. Essa progressão geométrica anima e gera novos espaços, para novos estudantes e para novos professores.
É bom demais ver, e mais que isso, participar, da ida de profissionais para o interior do estado, criando um forte vínculo entre a Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA, quebrando a hegemonia da capital (essa tendência pós-moderna). E ainda por cima, possibilitanto alguma estabilidade para essa gente guerreira, cansada de apanhar dando aula sem receber com dignidade no terceiro setor, no primeiro e no segundo - porque professor de arte apanha de ong, apanha de escola particular e apanha dos programas torpes e vis do Governo do Estado (Redas e PST's da vida, credo!). É bom ver gente do bem fazendo coisas boas e lindas, ainda mais assim, no interior no estado da nossa Bahia, do nosso Nordestão!
O Sudoeste da Bahia tem se tornado importante pólo cultura e educacional com a força dos cursos públicos universitários. Isso aconteceu em Vitória da Conquista com os cursos da área de saúde e agora um grande passo é dado com a criação destes cursos de artes. Veja só: são três novos cursos de Arte, gente (Teatro, Dança e Cinema!) Isso tem que ser comemorado. Isso é uma revolução!
Mais do que a criação de um curso, é a criação de uma nova área do conhecimento na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É tão bom ver que existe um grande projeto a ser realizado ali, existe um importante trabalho social a ser capitaneado por um projeto cultural e mais que isso, por cursos de Artes. Eu tenho tanta alegria e tanto orgulho de fazer parte disso, vocês não têm ideia. Não é mais um curso de Administração com Ênfases Diversas ou de Comércio Exterior (nada contra), mas é uma área de Arte, que se não vai gerar umas cifras garantidas logo ali na semana que vem, vai fazer toda diferença nestas cidades, nestas regiões, neste estado muito em breve, e uma diferença relevante, uma diferença que fica, que transforma, que melhora o mundo!
Quero aproveitar para dar um grande abraço nos meus novos parceiros de sala de aula. Esses meninos e meninas de todas as idades que olham para gente com aquela carinha linda de quem tem interesse em dialogar com a gente, em ouvir as coisas que a gente tem pra dizer e em dizer-nos suas lindas coisas, histórias e experiências.
Tenho me dedicado ultimamente a um exercício de viver a sala de aula como quem vive um encontro sagrado. Tenho buscado, no mais íntimo das minhas vontades e alegrias, que este encontro seja sempre bom e afetuoso. Que seja um encontro de amigos, sempre! Que consigamos ultrapassar as barreiras das diferenças, dos preconceitos (todos, deles e meus) dos rancores antecipados (ah, nunca é tempo de rancor!) do julgamento, da resistência ao novo (ou ao velho). Tenho tentado implodir modelos e transgredir regras toscas e inúteis que de tão velhas nem sabemos mais a que servem. Só quero o que me trouxer a certeza de que serve para fazer o mundo melhor. Meu mundo, o mundo dos estudantes, o mundo de todos nós (Credo, ficou quase petista essa frase!)
Quero me reinventar a cada dia e descobrir sempre um jeito melhor de dar aulas, um jeito sempre melhor de fazer amigos, um jeito sempre melhor de ser gente. E a sala de aula tem sido este palco, esta horta, este campo, enfim, esta sala de aula tridimensional: aula pra eles, aula pra mim.
Entre as motos e os paralelepípedos.
Entre as montanhas e os bons-dias
Entre o café quente e a noite fria
Entre as diferenças e as simpatias:
Tenho eu me descoberto nova, me descoberto viva, me descoberto feliz.
Obrigada Jequié!
Já se foram quase trinta dias e este blog assim, com umas teiiinhas de aranha.
Mas, sei que todos meus queridos leitores e amigos entendem.
Agora, de volta à vida e às coisas, pessoas e acontecimentos lindos que ela tem para me oferecer, o que me mantém afastada desse blog-mundo que eu tanto amo é a correria do dia-a-dia desta professora de teatro. E como professora trabalha, gente, benzadeus...
Descobrir Jequié com suas montanhas encantadas tem sido uma tarefa doce, mas corrida. Corrida como suas motos barulhentas.
Os dois recém criados cursos de Licenciatura em Teatro e Licenciatura em Dança, dos quais tenho a honra de ser professora tem sido uma grande experiência educacional e artística, além de social e humana, nunca demasiado, mas sempre humana.
Ter a oportunidade de pensar estes dois cursos no seu nascedouro, estar entre amigos, participar de reuniões divertidas e ao mesmo tempo produtivas (sim, isso é possível!!!) tem me deixado bastante feliz! Já são quatro turmas agora e a cada ano serão mais duas. Essa progressão geométrica anima e gera novos espaços, para novos estudantes e para novos professores.
É bom demais ver, e mais que isso, participar, da ida de profissionais para o interior do estado, criando um forte vínculo entre a Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA, quebrando a hegemonia da capital (essa tendência pós-moderna). E ainda por cima, possibilitanto alguma estabilidade para essa gente guerreira, cansada de apanhar dando aula sem receber com dignidade no terceiro setor, no primeiro e no segundo - porque professor de arte apanha de ong, apanha de escola particular e apanha dos programas torpes e vis do Governo do Estado (Redas e PST's da vida, credo!). É bom ver gente do bem fazendo coisas boas e lindas, ainda mais assim, no interior no estado da nossa Bahia, do nosso Nordestão!
O Sudoeste da Bahia tem se tornado importante pólo cultura e educacional com a força dos cursos públicos universitários. Isso aconteceu em Vitória da Conquista com os cursos da área de saúde e agora um grande passo é dado com a criação destes cursos de artes. Veja só: são três novos cursos de Arte, gente (Teatro, Dança e Cinema!) Isso tem que ser comemorado. Isso é uma revolução!
Mais do que a criação de um curso, é a criação de uma nova área do conhecimento na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É tão bom ver que existe um grande projeto a ser realizado ali, existe um importante trabalho social a ser capitaneado por um projeto cultural e mais que isso, por cursos de Artes. Eu tenho tanta alegria e tanto orgulho de fazer parte disso, vocês não têm ideia. Não é mais um curso de Administração com Ênfases Diversas ou de Comércio Exterior (nada contra), mas é uma área de Arte, que se não vai gerar umas cifras garantidas logo ali na semana que vem, vai fazer toda diferença nestas cidades, nestas regiões, neste estado muito em breve, e uma diferença relevante, uma diferença que fica, que transforma, que melhora o mundo!
Quero aproveitar para dar um grande abraço nos meus novos parceiros de sala de aula. Esses meninos e meninas de todas as idades que olham para gente com aquela carinha linda de quem tem interesse em dialogar com a gente, em ouvir as coisas que a gente tem pra dizer e em dizer-nos suas lindas coisas, histórias e experiências.
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| Professor-Diretor Roberto de Abreu e as 1as. turmas de Teatro e de Dança |
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| Gente feliz fazendo teatro |
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| Apresentação do espetáculo João Nínguém no Teatro Martim Gonçalves, em Salvador - primeiro intercâmbio de muitos! |
Tenho me dedicado ultimamente a um exercício de viver a sala de aula como quem vive um encontro sagrado. Tenho buscado, no mais íntimo das minhas vontades e alegrias, que este encontro seja sempre bom e afetuoso. Que seja um encontro de amigos, sempre! Que consigamos ultrapassar as barreiras das diferenças, dos preconceitos (todos, deles e meus) dos rancores antecipados (ah, nunca é tempo de rancor!) do julgamento, da resistência ao novo (ou ao velho). Tenho tentado implodir modelos e transgredir regras toscas e inúteis que de tão velhas nem sabemos mais a que servem. Só quero o que me trouxer a certeza de que serve para fazer o mundo melhor. Meu mundo, o mundo dos estudantes, o mundo de todos nós (Credo, ficou quase petista essa frase!)
Quero me reinventar a cada dia e descobrir sempre um jeito melhor de dar aulas, um jeito sempre melhor de fazer amigos, um jeito sempre melhor de ser gente. E a sala de aula tem sido este palco, esta horta, este campo, enfim, esta sala de aula tridimensional: aula pra eles, aula pra mim.
Entre as motos e os paralelepípedos.
Entre as montanhas e os bons-dias
Entre o café quente e a noite fria
Entre as diferenças e as simpatias:
Tenho eu me descoberto nova, me descoberto viva, me descoberto feliz.
Obrigada Jequié!
quarta-feira, 6 de julho de 2011
A Beleza de um adeus
| Vida boa, de gente simples |
Por mais que eu soubesse que esse era o caminho. Por mais que eu compreenda que ele libertou-se da dor e encontra-se mais feliz e calmo e me olha com seu olhar suave e sereno, para quem fica, a dor é indescritível.
E por mais que eu tenha me afastado de blogs, faces, e todos estes espaços que eu tanto gosto mas que nenhuma falta me fizeram nestas duas últimas semanas, sinto-me impulsinada a escrever sobre esta experiêcia, por mais inusitado e equivocado que possa parecer. Quero e respeito esse querer.
| Experiência. Influência árabe e muita união entre irmãos |
Vi a linda partida de um homem bravo, homem de roça e capital que como todo bom nordestino dividiu sua existência entre o idílico Guigó (distrito meio zona rural, meio bairro de Conquista) e a selva de São Paulo.
Vi um homem sofrer nos corredores de um hospital público.
Vi a falta que lhe fazia o amigo cigarro, que o empurrou para este doloroso fim.
| Guigó: terra boa de gente guerreira |
Vivi a dor da notícia fatídica.
Vivi a força de uma família.
Vivi a força do amor.
Vi a nobreza da infância e da velhice em momentos-limite.
Vi um lugarejo moblizado para dar adeus ao amigo Ático. Vi um domingo ensolarado em pleno inverno. Vi tantos e tantos trabalhadores rurais vindo a pé de suas roças para a cerimônia do adeus.
| Terra seca e forte |
Vi um ritual católico cantado, sereno e acolhedor. Ouvi o canto das carpideiras.
Experimentei o almoço coletivo na praça.
Vivi o silêncio do cortejo na estrada.
Vi a saudade da cachorra sob o caixão, dentro da igreja e ao longo da caminhada de adeus.
| Flores da caatinga |
Meu grande pai ia na frente, deitado, soberano.
A natureza o recebia.
| Um joguinho para sorrir |
A cachorra Sandy, companheira de domingos, foi a última a deixar o Campo Santo. A vida real é piegas...
Domingo era seu dia favorito. Ele não nos deixou ir no São João, apenas pediu às filhas: "Eu quero que vocês venham no domingo!" Obedecemos, pai.
Não fosse o consolo da beleza daquele momento e a certeza que ele nos dava de que era um momento bom, um momento feliz, de equilíbrio, de encontro entre a vida e a morte, talvez eu não estivesse tão forte. Não fosse essa certeza, a de que tal espetáculo só pode dizer respeito a um momento sereno e feliz, talvez eu sentisse ainda mais dor do que sinto.
Sinto que se não narrasse essa experiência, ela não se completaria em mim. Virei Benjaminiana convicta. Preciso dessa narrativa para entender o que vai em mim. Sinto-me mais leve, ao mesmo tempo em que mais plena.
Teorias filosóficas não me apetecem neste momento. Respeito o doutorado e todas as experiências pelas quais passei na vida, mas elas pareciam perder o sentido naquelas terras do Guigó, onde parecia que eu dava de cara com as respostas que busco tão desesperadamente nas páginas dos livros.
Sei que vou voltar a eles e que eles voltarão a fazer sentido pra mim. Não há como fugir de onde já cheguei. Não há como negar tudo que li. Sei que vou voltar à minha vida cotidiana, aos problemas prosaicos e tolos que agoram parecem até engraçados. Mas, espero conservar certa sabedoria que a morte de alguém tão querido parece nos oferecer. Espero continuar sem pressa, serena e mais afeita às relações do que às aquisições. Nada me conforta mais do que saber que dei todo carinho que pude ao meu pai e que isso era tudo o que havia para ser dado e tudo o que ele esperava receber. Sei que ele fez sua passagem de forma serena, porque era um homem bom e desapegado. Sei que ele me escuta e está feliz porque volto à vida, aos poucos.
De volta ao meu blog tão querido, aos meus amigos, leitores, seguidores, críticos... Viver é estranho, mas é um lindo espetáculo, que como o futebol, assistimos e fazemos, fazemos e assistimos.
A propósito, em homenagem ao grande corintiano que partiu, o Timão deu 5 X 0 no Arqui-rival São Paulo no dia de seu adeus. O velho Ático ainda deu uma passadinha pelo estádio. Ah, velho danado...
Eu te amo, meu pai. Fica bem! Fica em paz!
Escrevi outro texto quando soube de seu estado de saúde. Para ler Clique aqui.
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quarta-feira, 22 de junho de 2011
BOAS FESTAS JUNINAS
Caros amigos e amigas.
São Jão é no interior, né? E no interior a vida real - felizmente - ainda é maior, bem maior, que a vida virtual. Pelo menos no meu caso.
Assim, não tenho muito acesso à INTERNET quando estou na casa da minha família e, cá pra nós, não me mobiliza muito ir à lan-house.
Assim, ficaremos um tempo sem postar, sem atualizar as páginas, mas - sem dúvida - atualizando a vida e produzindo muita experiência a ser postada, fotografada ou mesmo encenada no futuro.
Grande abraço a todos!
Bom São João, São Pedro e 2 de Julho!
São Jão é no interior, né? E no interior a vida real - felizmente - ainda é maior, bem maior, que a vida virtual. Pelo menos no meu caso.
Assim, não tenho muito acesso à INTERNET quando estou na casa da minha família e, cá pra nós, não me mobiliza muito ir à lan-house.
Assim, ficaremos um tempo sem postar, sem atualizar as páginas, mas - sem dúvida - atualizando a vida e produzindo muita experiência a ser postada, fotografada ou mesmo encenada no futuro.
Grande abraço a todos!
Bom São João, São Pedro e 2 de Julho!
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Dez minutos com Armindo Bião
No dia 06 de junho de 2011 visitamos, para um rápido bate-papo, o multifacetado Armindo Bião clique aqui para assistir ao bate-papo. Ator, encenador, professor, pesquisador e ser humano. Inteligentíssimo, generoso e acessível. Baiano, brasileiro, cidadão do mundo. Perdoem-me a rasgação de seda, mas ela (a rasgação), coitada da seda, é inevitável.
Quando eu vim para este mundo chamado São Salvador, oreba que eu era, e meio que sou até hoje, foi através do trabalho desenvolvido junto à figura deste professor que identifiquei meu caminho acadêmico e artístico. Do pioneirismo do seu trabalho à frente do PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTES CÊNICAS - PPGAC do qual fui bolsista de iniciação científica através do Grupo Interdiciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporâneidade, Imaginário e Teatralidade (GIPE-CIT), resultou a criação da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas (ABRACE). Vale salientar que o PPGAC tem conceito 6 junto a CAPES.
Licenciado em Filosofia pela UFBA, é Mestre pela Universidade de Minnesota (EUA), Mestre e Doutor pela Universidade Ren Descartes Paris V Soborne e Pós-Doutor pela Universidade de Paris Ouest Nabterre La D fense (França). É Professor Titular Associado, no Brasil à Universidade Federal da Bahia, e, na Europa, à Universidade de Paris Ouest Nanterre La D fense entre outras instituições. Também é blogueiro ARMINDO BIÃO - clique aqui.
Em agosto do ano passado (2010) estreamos juntos "A gente canta Padilha", ele como diretor eu como ator inserido numa renca de outros atores e atrizes.
Este espetáculo é, por assim dizer, um braço de uma pesquisa, ainda em andamento, sobre a figura histórica, fantástica e ficcional da Maria Padilha intitulada Mulheres por um fio (inferno, purgatório e paraíso no Atlântico Norte). ASSISTA À AULA ESPETÁCULO CLICANDO AQUI.
Ao meu querido, brilhante e amado mestre, este registro fique apenas como uma pequena homenagem que, como um para sempre encantado aluno, humildemente presto. É uma grande satisfação ter próximo a mim, a minha família, ao meu fazer teatral essa pessoa impar.
Confira o DEZ MINUTOS COM... ARMINDO BIÃO.
Alam Félix
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Quando eu vim para este mundo chamado São Salvador, oreba que eu era, e meio que sou até hoje, foi através do trabalho desenvolvido junto à figura deste professor que identifiquei meu caminho acadêmico e artístico. Do pioneirismo do seu trabalho à frente do PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTES CÊNICAS - PPGAC do qual fui bolsista de iniciação científica através do Grupo Interdiciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporâneidade, Imaginário e Teatralidade (GIPE-CIT), resultou a criação da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas (ABRACE). Vale salientar que o PPGAC tem conceito 6 junto a CAPES.
| Bocas do Inferno - 1979 - Armindo Bião e Gessy Gesse |
Licenciado em Filosofia pela UFBA, é Mestre pela Universidade de Minnesota (EUA), Mestre e Doutor pela Universidade Ren Descartes Paris V Soborne e Pós-Doutor pela Universidade de Paris Ouest Nabterre La D fense (França). É Professor Titular Associado, no Brasil à Universidade Federal da Bahia, e, na Europa, à Universidade de Paris Ouest Nanterre La D fense entre outras instituições. Também é blogueiro ARMINDO BIÃO - clique aqui.
Em agosto do ano passado (2010) estreamos juntos "A gente canta Padilha", ele como diretor eu como ator inserido numa renca de outros atores e atrizes.
Este espetáculo é, por assim dizer, um braço de uma pesquisa, ainda em andamento, sobre a figura histórica, fantástica e ficcional da Maria Padilha intitulada Mulheres por um fio (inferno, purgatório e paraíso no Atlântico Norte). ASSISTA À AULA ESPETÁCULO CLICANDO AQUI.
O espetáculo fez duas vitoriosas temporadas no Teatro Martim Gonçalves e participou do XVII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, Ceará. Este ano estamos batalhando uns editais aí para voltarmos à cena. A gente... tembém tem blog clique aqui para acessar o blog.
| A Maria Padilha de Armindo Bião |
Confira o DEZ MINUTOS COM... ARMINDO BIÃO.
Alam Félix
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terça-feira, 14 de junho de 2011
SANTO ANTÔNIO E A ESCOLA DE TEATRO
| Sem título - Jackson da Silva - acrílico |
| Sem título - Miguel Carvalho - Aquarela, nanquim, gliter: técnica mista |
| Casamento na roça |
Não por acaso, 13 de junho é aniversário da Escola de Teatro da UFBA, essa linda casa que fica numa encruzilhada, bem no meio do Canela, nesse corredor cultural que abriga a Escola de Belas Artes, Teatro e Música (falta Dança que tá lá longe, em Ondina!)
Já não dá mais para saber se as homenagens ao Santo são por conta da data de fundação da escola ou se a data escolhida foi em homenagem ao santo. Mais isso é só um detalhe. Segundo BIRA FREITAS, (veja no DEZ MINUTOS COM...) a Escola de Teatro nasce em 1956, mas o Teatro Santo Antônio (que ocupa parte do então SOLAR SANTO ANTÔNIO) só seria inaugurado em 13 de junho de 1958, pelo então Diretor da Escola, Profº Eros Martim Gonçalves, que hoje dá nome ao Teatro que já foi do Santo. Tô certa, Jussi? (Jussilne Santana faz doutorado no Programa de Pós Graduação em Artes Cêni as da UFBA e estuda o trabalho de Martim Gonçalves).
| Antônio Meu Santo - Fred Alvim |
Lá, conheci muitos dos meus grandes mestres, colegas, amigos e alunos. Lá me descobri a mim mesma. Lá uni a experiência artística com a experiência pedagógica (eu já era atriz e professora de inglês). Lá engravidei (não lá exatamente, né gente, apesar de Alam ser colega... rsrsrs) Fiz o segundo semestre barriguda, o terceiro eu tranquei para parir (hoje faz 9 anos que eu pari João Vicente) e o quarto fiz com uma filha brincando ao meu lado e o outro mamando no peito. Coisas de calendário de greve. A creche fechada e a gente tendo aula.
No ato de 4 eu apresentei minhas propostas de cena, no estágio, me reconheci educadora. Através do Profº Luiz Marfuz ingressei no Liceu, onde, além de aprender tanto sobre a profissão e a vida social, fiz minha cerimônia de colação de grau, na qual fui oradora. Pra Escola de Teatro (agora temos que falar sempre da UFBA porque na UESB também tem!) voltei tão logo me formei na graduação, para fazer o mestrado e no mesmo semestre, entrei como professora substituta. Mais uma vez, eu estreava, agora como professora do ensino superior.
| Barraquinha de bebidas típicas |
Voltemos à escola...
A bela exposição SANTO ANTÔNIO NO SANTO ANTÔNIO ocupa a Galeria Nilda Spencer. São obras homenageando o Santo. Com curadoria do Profº Maurício Pedrosa (veja também no DEZ MINUTOS COM...) a exposição reúne obras de diferentes artistas, ligados todos eles às artes cênicas ou à escola. Vale a pena visitar. Ficará em exposição até o final da semana que vem, sempre a tarde ou antes do espetáculos em cartaz no Martim Gonçalves.
| Thadeu Cajado - Estandarte |
Uma linda festa feita quase que exclusivamente por alunos. Muitas barraquinhas no melhor estilo junino, comidas típicas. Senti falta do forró. O dilúvio caía pesado. Calma, São Pedro, seu dia vai chegar... deixa a festa do outro. Tinha cadeia, recadinhos de amor e barraca de beijo. Meninas e meninos vestidos a caráter e até casamento torto. A noiva estava tão linda!!!
Com organização dos alunos, a festa tava que era uma animação só (veja as figuraças no DEZ MINUTOS COM...). Eu só estranhei que era uma festa em homenagem ao aniversário da Escola, mas parecia mais uma confraternização de estudantes. Não que isso seja um defeito, muito pelo contrário, mas me espantou a ausência de professores e funcionários. Digo ausência, mas na verdade é a baixa presença. Vi um ou outro professor e funcionário, como confirma o DEZ MINUTOS COM... feito com representantes das três instâncias. Eu sei que num momento de festa, não há instâncias (ou não deveria haver), mas acho que a festa feita pelos alunos em homenagem à escola - que é de todos - com baixa adesão dos professores e funcionários, pode ser um sinalizador importante. E se fosse uma festa oficial? Com peça importante no MARTIM GONÇALVES, figuras importantes da política local, coquetel com pró-seco? Quem seria o público da festa? Mesmo que a escola esteja sem verba para fazer uma festa assim, acho que a iniciativa dos alunos de promoverem uma festa a seu modo, deveria ser considerada uma festa da escola e por tanto ser acolhida por todos. Só um comentário. Essa minha mania: vi e quero comentar...
| Santo Antônio - Hamilton Lima - Pintura em Vinil |
| Festa sob chuva |
Saímos no auge da festa. Já estamos envelhecidos e chega uma hora que festa de jovem é pra jovem. Eu assumo e respeito.
| HQ do Santo Antônio - Priscila Pimentel |
Gente que estuda Boal, dramaturgia, interpretação, plateia, ensino de teatro, jogo, Brecht, novela, cordel, palhaço, educação inclusiva, educação de jovens e adultos, improvisação, corpo e voz, Stanislavski, história do teatro, Denise Stoklos, cenário, figurino, maquiagem, trilha sonora, Nelson Rodrigues, recepção, cultura, filosofia, , Artaud, epistemologia, hermenêutica... (já tá quase virando piada...)
| Mais festa |
Cada arco, cada cor, cada prisma deste arco-íris é o olhar de um aluno de teatro.
E nesses 55 anos desta escola linda e produtiva, é assim que eu quero parabenizá-la. Começando por seus alunos. Respeito e reconheço a importância do professor (posto que eu mesma sou uma), dos funcionários e técnicos e sei que a escola é e sempre será o encontro dessas três dimensões do existir, todas e cada uma delas como parte da sociedade. Mas quero declarar minha paixão INCONDICIONAL aos estudantes porque a escola é deles, a escola é eles. Sem eles, não há escola, não há professor, não há processo de ensino aprendizagem, de criação artística, de encontro.
| Santo Antônio e Tia Cota - Raimundo Matos Leão |
Evoé, Escola de Teatro da UFBA, minha parceira de dez anos. Vida longa a essa coroa, nobre e majestosa.
Que Santo Antônio continue abençoando este casamento feliz de mestres e aprendizes, de iniciantes e experientes. Esse casamento profícuo da curiosidade com o conhecimento. Da vontade de fazer com a capacidade de realizar. Da inspiração artística com a leitura criadora. Essa ponte interminável entre o professor-artista que forma o professor, que forma o artista, que vai formar outro, e outro e outro e assim até o fim dos tempos, porque só depois que acabarem os tempos, a arte descansará.
ANTES DE MIM
VIERAM OS VELHOS
OS JOVENS VIERAM DEPOIS DE MIM
E ESTAMOS TODOS AQUI
NO MEIO DO CAMINHO DESSA VIDA
VINDA ANTES DE NÓS
E ESTAMOS TODOS A SÓS
NO MEIO DO CAMINHO DESSA VIDA
ESTAMOS TODOS NO MEIO
QUEM CHEGOU E QUEM FAZ TEMPO QUE VEIO
NINGUÉM NO ÍNICIO
OU NO FIM
(jovens e velhos - adriana calcanhoto)
| Ogum - Rodolfo Troll |
| Gruta de Santo Antônio - Haroldo Garay |
Não deixe de ver o bate-papo com Bira Freitas, coordenador do Teatro Martim Gonçalves, Maurício Pedrosa, Chefe de Departamento da Escola e Curador da Exposição SANTO ANTÔNIO NO SANTO ANTÔNIO, com Fernanda Silva, estudante do 5º semestre de Licenciatura em Teatro e Shandra Andere, estudante do 1º semestre de Licenciatura em Teatro. Agradecimentos especiais a Diego Valle, que segurou o guarda-chuva para não molhar o equipamento (sacanagem...). DEZ MINUTOS COM...CLIQUE AQUI.
| Altar - Ademir França |
| Oratório - Maurício Pedrosa |
| Antonius Santis - Maurício Pedrosa - Materiais Diversos |
| Sem título - Jackson da Silva - acrílico sobre madeira |
Marcadores:
coisas da vida,
Dez minutos com,
Teatro na Bahia
sexta-feira, 10 de junho de 2011
OITO ANOS DE FINOS TRAPOS
Um Fino Café.
Uma Fina Companhia.
Finos integrantes.
Fina alegria.
Assim - fina - foi a comemoração desse povo trapiano, esse povo cheio das antíteses do mundo contemporâneo:
É de Salvador ou de Conquista?
É teatro regional ou universal?
É a Finos de Roberto ou Roberto da Finos?
Tantas perguntas e tão pouca preocupação em achar respostas.
A Finos está no cenário há oito anos, mas parece muito mais. Espetáculos, Pesquisa, Residência artísitica, intercâmbio, interferências... Essa gente bonita e brejeira, boazinha e conquistadeira, ganha edital, ganha Braskem, ganha nosso carinho, ganha elogio, ganha crítica, mas continua assim, com esse jeito catingueiro de dizer CONQUISSSSSSSSSTA com todos os 'ésses' que a palavra tem.
E eu amo muito esse povo e já escrevi sobre eles outras vezes. Ficam os depoimentos de outros dmiradores deste lindo grupo, um delicioso bate-papo com essa galera linda, o Fino Blog para vocês acessarem e mais uma vez, o link de um comentário que eu escrevi sobre Gennesius.
O post sai com 08 dias de atraso em homenagem aos 08 anos do Grupo. (Mentira, é porque eu tô trabalhando muito no mundo real e blog é coisa que requer tempo!)
Uma retrospectiva visual da nossa amadíssima FINOS TRAPOS.
| Fino aquecimento e concentração |
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| SAGRADA FOLIA |
| Daisy Andrade em SAGRADA PARTIDA |
| Polis Nunes e Rick Fraga em SAGRADA PARTIDA |
| AUTO DA GAMELA |
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| AUTO DA GAMELA |
| Yoshi Aguiar e Frank Magalhães em GENNESIUS - Histriônica Epopéia de um Martírio em Flor |
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| Shirley Ferreira em GENNESIUS |
| Finos Bastidores |
| Finas leituras |
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Reunião da SECULT com representantes do teatro profissional - um passo atrás
Gente, eu ouvi e nem fui verificar obstinadamente a verdade da notícia, nem pesquisei fontes, nem nada. O próprio burburilho já me foi suficiente para lamentar. Se não for verdade, tanto melhor.
Ouvi a boca pequena que a FUNCEB e posteriormente a SECULT estão promovendo encontros, quase às escondidas, com o PESSOAL DO TEATRO PROFISSIONAL. Tem até um indicativo de não espalhar o convite!
Nooooooooossa Senhora. Que belo começo, hein.
A única coisa que me veio à cabeça foi:
As viúvas de ACM venceram!!!
É, isso mesmo, aquele grupo que sugeriu num manifesto, muito arbitrariamente, que a Cultura da Bahia estava na UTI.
É, aquele grupo que tentou durante quatro anos detonar as ações de Márcio Meirelles.
É Márcio Meirelles, aquele secretário que no início de sua gestão encarou a classe ABERTAMENTE numa primeira das muitas reuniões ABERTAS, eu insisto. Ele teve coragem de encarar as Tainãs da vida - coisa que pouca gente tem - os radicais do Teatro de Rua, Movimento Negro, numa reunião sobre Cultura, sobre Teatro e não somente numa reunião específica, fechada, separada sobre teatro de rua.
Ora, quantos equívocos a gente pode cometer fazendo essas distinções ultrapassdas e que não podem de jeito nenhum servir ao bem comum. TEATRO DE RUA, TEATR PROFISSIONAL, TEATRO AMADOR, TEATRO DE ARENA, TEATRO ITALIANO, TEATRO REALISTA, TEATRO-SOCIAL. TEATRO BOM, TEATRO RUIM...
E aí eu fiquei pensando em como a gente pensa e faz teatro aqui em Salvador. Em como a gente divide o tempo todo TEATRO PROFISSIONAL e TEATRO RUIM, que chamam por aí eufemesticamente de SIMPLIZINHO..
Fiquei vendo e pensando em como a gente separa os pequenos dos grandes e como uns tratam os outros.
Tem gente que no facebook grita que somos uma roça, uma provincía, mal sabendo que eles próprios fazem dessa cidade um feudo! Suas posições e ideias ultrapassadas, colonizadas, escravizadas por um modelo vigente, esvaziadas de vigor e criatividade, lamentam nossas principais características chamando-as apenas de defeitos ou incapacidades. E nunca é demais lembrar: ESSA VONTADE DE SER EUROPEU QUE NÃO PASSA!
Nós, do blog (e quando eu encho a boca para falar nós eu tô falando eu e Alam) temos feito esse acompanhamento dos espetáculo, vocês sabem. Só que, mais do que as peças em si, vemos bizarrices sem noção.
Percebemos a diferença GRITANTE no modo como as produções nos recebem. A forma como algumas pessoas nos olham, como se perguntassem: quem são esses?
Fora os que nem se nos dirigem a palavra. Vocês acreditam que tem diretor que manda resposta pelo produtor, e se quer vem falar com a gente? É, seu secretário, são os artistas profissionais. Será que eu sou blogueira profissional? Eu não ganho dinheiro fazendo o blog (muito pelo contrário) - Eu bem que queria um milhão!!! Mas eu também não fiz curso superior de blog. E tem? Como faz para ser profissional?
ETIQUETAS, ETIQUETAS!!!
Percebem como as etiquetas não servem mais? Percebem como não dá mais para ficar brincado de ser moderno quando o mundo já é pós? A quem serve dividir os artistas da Bahia em profissionais e amadores? A quem serve fazer reuniões às escondidas? Para resolver o que? O que vai ficar para eles e o que vai sobrar para nós? Sim, porque eu não fui convidada, então eu sou o resto, eu sou nós. Nós somos os nós!
Pois eu digo: Eu sou profissional e não fui convidada para essa reunião!!!
Você é?
Você foi?
E que eu não fosse profissional, que fizesse teatro declaradamente amador. Vai me chamar para definir sobre o destino do resto? do que sobrou?
E eu acho que o mais grave de tudo é essa coisa fechada, chamar alguns e depois outros. Por quê? Como vai ser possível tocar uma pasta de cultura assim, separando e elegendo? Quem fez a lista do profissionais de Salvador? Ou foi da Bahia? Porque a Secretaria é estadual.
Quando é que eu vou ser chamada? Vai ter uma reunião para blogueiros de teatro?
Eu vou para umas mil reuniões, então, porque eu sou atriz profissional (tenho DRT), tenho um grupo de 10 anos de atução, sou professora de teatro, sou fomentadora cultural através do meu trabalho no blog, sou espectadora, sou pesquisadora (doutoranda em teatro)... e aí? Como vai ser? Pra que reunião eu vou?
E olha que eu sou muito otimista com Nehle Frank, uma mulher de teatro, desbravadora, de vanguarda, realizadora. Mas, esse começo, realmente, não foi dos mais simpáticos e promissores.
Espero que eu esteja enganada e que o barulho dos que querem grandes cifras do governo para fazer suas peças européias não venha a dar resultados nesse começo de segundo mandato DESASTROSO de Jaques Wagner.
Não, porque de um governador que vai bater recorde de pedágio (4 de Salvador a Alagoinhas, 7 a Vitória da Conquista), que corta salário de professores em greve legítima, diz na TV que não cortou e que aparece vendendo a barba para ajudar ONG paulista, realmente pode se esperar de um tudo.
Espero ainda que as ações realizadas na gestão de Márcio Meirelles em relação ao interior da Bahia não sejam abandonadas, mas sim ampliadas e melhoradas.
Espero que os editais continuem contemplando grupos dos mais diversos perfis e tamanhos e com as mais diversas linguagens e estéticas e tempo de experiência. Estávamos construindo um belo modelo de gestão de cultura, onde os resultados não são imediatos. Espero que não troquemos este modelo por uma grande estreia que saia na lista da Bravo um mês e da qual nunca mais se tenha notícia.
Era só isso mesmo.
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Ouvi a boca pequena que a FUNCEB e posteriormente a SECULT estão promovendo encontros, quase às escondidas, com o PESSOAL DO TEATRO PROFISSIONAL. Tem até um indicativo de não espalhar o convite!
Nooooooooossa Senhora. Que belo começo, hein.
A única coisa que me veio à cabeça foi:
As viúvas de ACM venceram!!!
É, isso mesmo, aquele grupo que sugeriu num manifesto, muito arbitrariamente, que a Cultura da Bahia estava na UTI.
É, aquele grupo que tentou durante quatro anos detonar as ações de Márcio Meirelles.
É Márcio Meirelles, aquele secretário que no início de sua gestão encarou a classe ABERTAMENTE numa primeira das muitas reuniões ABERTAS, eu insisto. Ele teve coragem de encarar as Tainãs da vida - coisa que pouca gente tem - os radicais do Teatro de Rua, Movimento Negro, numa reunião sobre Cultura, sobre Teatro e não somente numa reunião específica, fechada, separada sobre teatro de rua.
Ora, quantos equívocos a gente pode cometer fazendo essas distinções ultrapassdas e que não podem de jeito nenhum servir ao bem comum. TEATRO DE RUA, TEATR PROFISSIONAL, TEATRO AMADOR, TEATRO DE ARENA, TEATRO ITALIANO, TEATRO REALISTA, TEATRO-SOCIAL. TEATRO BOM, TEATRO RUIM...
E aí eu fiquei pensando em como a gente pensa e faz teatro aqui em Salvador. Em como a gente divide o tempo todo TEATRO PROFISSIONAL e TEATRO RUIM, que chamam por aí eufemesticamente de SIMPLIZINHO..
Fiquei vendo e pensando em como a gente separa os pequenos dos grandes e como uns tratam os outros.
Tem gente que no facebook grita que somos uma roça, uma provincía, mal sabendo que eles próprios fazem dessa cidade um feudo! Suas posições e ideias ultrapassadas, colonizadas, escravizadas por um modelo vigente, esvaziadas de vigor e criatividade, lamentam nossas principais características chamando-as apenas de defeitos ou incapacidades. E nunca é demais lembrar: ESSA VONTADE DE SER EUROPEU QUE NÃO PASSA!
Nós, do blog (e quando eu encho a boca para falar nós eu tô falando eu e Alam) temos feito esse acompanhamento dos espetáculo, vocês sabem. Só que, mais do que as peças em si, vemos bizarrices sem noção.
Percebemos a diferença GRITANTE no modo como as produções nos recebem. A forma como algumas pessoas nos olham, como se perguntassem: quem são esses?
Fora os que nem se nos dirigem a palavra. Vocês acreditam que tem diretor que manda resposta pelo produtor, e se quer vem falar com a gente? É, seu secretário, são os artistas profissionais. Será que eu sou blogueira profissional? Eu não ganho dinheiro fazendo o blog (muito pelo contrário) - Eu bem que queria um milhão!!! Mas eu também não fiz curso superior de blog. E tem? Como faz para ser profissional?
ETIQUETAS, ETIQUETAS!!!
Percebem como as etiquetas não servem mais? Percebem como não dá mais para ficar brincado de ser moderno quando o mundo já é pós? A quem serve dividir os artistas da Bahia em profissionais e amadores? A quem serve fazer reuniões às escondidas? Para resolver o que? O que vai ficar para eles e o que vai sobrar para nós? Sim, porque eu não fui convidada, então eu sou o resto, eu sou nós. Nós somos os nós!
Pois eu digo: Eu sou profissional e não fui convidada para essa reunião!!!
Você é?
Você foi?
E que eu não fosse profissional, que fizesse teatro declaradamente amador. Vai me chamar para definir sobre o destino do resto? do que sobrou?
E eu acho que o mais grave de tudo é essa coisa fechada, chamar alguns e depois outros. Por quê? Como vai ser possível tocar uma pasta de cultura assim, separando e elegendo? Quem fez a lista do profissionais de Salvador? Ou foi da Bahia? Porque a Secretaria é estadual.
Quando é que eu vou ser chamada? Vai ter uma reunião para blogueiros de teatro?
Eu vou para umas mil reuniões, então, porque eu sou atriz profissional (tenho DRT), tenho um grupo de 10 anos de atução, sou professora de teatro, sou fomentadora cultural através do meu trabalho no blog, sou espectadora, sou pesquisadora (doutoranda em teatro)... e aí? Como vai ser? Pra que reunião eu vou?
E olha que eu sou muito otimista com Nehle Frank, uma mulher de teatro, desbravadora, de vanguarda, realizadora. Mas, esse começo, realmente, não foi dos mais simpáticos e promissores.
Espero que eu esteja enganada e que o barulho dos que querem grandes cifras do governo para fazer suas peças européias não venha a dar resultados nesse começo de segundo mandato DESASTROSO de Jaques Wagner.
Não, porque de um governador que vai bater recorde de pedágio (4 de Salvador a Alagoinhas, 7 a Vitória da Conquista), que corta salário de professores em greve legítima, diz na TV que não cortou e que aparece vendendo a barba para ajudar ONG paulista, realmente pode se esperar de um tudo.
Espero ainda que as ações realizadas na gestão de Márcio Meirelles em relação ao interior da Bahia não sejam abandonadas, mas sim ampliadas e melhoradas.
Espero que os editais continuem contemplando grupos dos mais diversos perfis e tamanhos e com as mais diversas linguagens e estéticas e tempo de experiência. Estávamos construindo um belo modelo de gestão de cultura, onde os resultados não são imediatos. Espero que não troquemos este modelo por uma grande estreia que saia na lista da Bravo um mês e da qual nunca mais se tenha notícia.
Era só isso mesmo.
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
Em cima do palco, em baixo da lona
Vira Lona, Lona Vira.
Eu levei um tempinho tentando bolar um título que brincasse com o título da peça que a gente assistiu e vai comentar, mas o máximo que eu consegui foi isso mesmo.
Este é o primeiro espetáculo infato-juvenil que a gente faz aqui no blog e a estreia não podia ser melhor. O Grupo Via Palco, além do espetáculo, apresenta no Teatro Xisto Bahia - que eu já confessei que adoro - uma bela exposição fotográfica, com parte de seus 13 anos de trabalhos nos palcos, além de manter uma simpática lolinha onde as famílias podem adquirir brinquedos e camisas com estampas do universo circense.
Chegamos e uma luz muito bem desenhada nos recebe. Aos poucos, porém uma linda trilha sonora, que permeará e enriquecerá todo o espetáculo nos afasta da loucura do dia-a-dia e nos convoca a sermos crianças de novo. E que convite gostoso. E como é bom aceitá-lo.
As cenas vão se apresentando uma a uma, com a calma de quem tem tempo, não tem pressa e não tem medo. As crianças entram no tempo e na lógica do esptáculo e a gente já não sabe mais o que é sonho e o que é real.
Números de circo, como esquetes de palhaços, malabarismos, cambalhotas e outras peripécias corporais fazem a gente viajar como se fosse num circo mesmo. O palco vira lona, insisto. E a proposta se consuma: e se todos os números de circo fossem feitos por palhaços?
Os elementos visuais, desde o figurino, maquiagem e adereços, a iluminação são muito bonitos e bem cuidados. Agamenon de Abreu, que já encanta o cenário (literalmente) teatral de nossa cidade fazendo belíssimos cenários e figurinos para as mais diversas produções, foi muito feliz nas escolhas e na construção da imagem visual (isso é um pleonasmo?) deste espetáculo.
Mas o que enche os olhos mesmo, me desculpem pelo disparate linguístico é a trilha sonora, um belíssimo trabalho de Rubinho D'Ávila.
Ah, eu acho que ainda não falei que a peça não tem palavras, não é? João Lima já havia se aventurado em experiência parecida com O Sapato do Meu Tio (vencedor do Prêmio Braskem de melhor Texto - não é ótimo isso? - cujo cenário também é de Agamenon de Abreu).
Mas, voltando à lona, a trilha ocupa boa parte da construção da dramaturgia, escrita também pela movimentação dos atores, pelo tempo-ritmo do espetáculo, pelo recorte de luz, enfim, várias vozes a serviço de um espetáculo literalmente sem palavras que encantou toda a plateia que se ria como criança feliz.
João Vicente, meu filho, se pulava na cadeira com as peripécias dos palhaços, sobretudo Agamenon que enche o palco cada vez que põe em cena seu nariz vermelho. Hannah, mais comedida ria-se educada, mas efusivamente.
O fato de o espetáculo estar estreando traz um pouquinho de rigidez ainda à realização das performances, sobretudo as que envolvem um certo risco. Nada mais natural, né gente. Acho que com o tempo as acrobacias vão sendo executadas com mais precisão e naturalidade e também os jogos entre os palhaços, A cena das mágicas, por exemplo, na minha modesta opinião, podem ser feitas mais como brincadeiras, tirando um barato mesmo, afinal de contas são palhaços fazendo... Acho que Agamenon consegue essa pegada, pois ele executa sua mágica de brincadeira, e se diverte com ela. Acho os demais truques acabam sendo feitos com muita seriedade, que não contribui para a cena, já que são evidentemente truques aprendidos. Se esses truques fossem assumidos como tal (não esclarecidos, como Mr. M), mas se fossem ridicularizados (acho que essa é a pior palavra possivel, mas não tô achando outra) a cena ganharia muito em ritmo e em troca com a plateia. E acho o final meio abrupto, mas, como sempre lembro, eu só acho tá gente, se eu tivesse certeza de alguma coisa eu tava lá no palco, fazendo e não aqui escrevendo sobre quem faz. EU AMO ESSE ESPETÁCULO!
| Bolinhas de sabão e música de caixinha |
João Vicente escolheu a cena da água, Agá e Ive Alencar essa grande menina-atriz, brincando de ser chafariz. E que técnica, hein Agá? Uma caixa d'água!!!
Hannah encantou-se a cena da bailarina, mais uma vez pela leveza e brilho da interpretação de Naiara.
Alam gostou do gol do Bahia, pois o safado estava fotografando a peça e ouvindo o BAHIA X FLAMENGO pelo fone do rádio... pode???
E a peça é assim: a gente sai lembrando das cenas, dando tanta risada quanto deu lá dentro, trocando ideias sobre as cenas e isso é uma delícia. A capacidade de manter crianças intertidas (como diz meu pai) com uma peça sem uma palavrinha se quer, sem gritaria, sem ruído, sem efeitos especiais tecnológicos é de fato um acontecimento.
E é tão bom ver esse acontecimento 'acontecer' no teatro, esse lugar de resistência. Esse pedaço de mundo onde o encontro pessoal é uma condição indispensável. Onde atores ainda se dedicam - há quanto séculos, meu deus? - a pesquisar, trabalhar, ensaiar, criar, para no fim, em cima de um palco - ou em baixo de uma lona - atirar-se à fúria dos espectadores, que esperam de boca aberta devorar o desafiante.
A menos, obviamente, que este ator/atriz o seduza, o convença e o conquiste. Conseguido esse feito, sai ele dali, coitado, talvez sem dar-se conta, completamente transformado, escravo dessa delícia, espectador adepto e carente de cada vez mais teatro.
Tá bom, né... eu perco um pouco a conta quando escrevo...
Assista ao discontraído bate-papo com elenco e diretor no DEZ MINUTOS COM... VIA PALCO Foi muito gostoso e divertido.
Ouça o que a plateia tem a dizer no GOL DO ESPETÁCULO
Se gostou das infromações da peça, dê um pulo no site do grupo CLICANDO AQUI.
Nunca é demais lembrar que este espetáculo é parte do projeto COOPERATIVA EM CENA, sobre o qual a gente já falou e ainda vai falar muito mais, pois estamos agendando um DEZ MINUTOS COM... a Diretoria da Cooperativa.
E, claro, não deixe de comentar, é tão bom acordar e ter comentário no blog.
FOTOS DO POST: alam félix
FICHA TÉCNICA
Roteiro: Criação Coletiva
Direção: João Lima
Elenco: Agamenon de Abreu, Ive Alencar, Fábio Neves e Naiara Homem
Cenário/Figurino: Agamenon de Abreu
Iluminação: Luciano Reis
Coreografia: Léo Luz
Técnicas Circenses: Edi Carlos (Binho) e Jailson Pereira
Trilha Sonora: Rubinho D'Ávila
Produção: Infinito Mais Um Produções
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