quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A BELEZA DE UMA FAXINA na Revista Beleza Bahia

Gentes.
Depois de uma demoradinha, saiu um novo exemplar da Revista Beleza Bahia, com meus dois textos. Um está aqui e o outro no http://www.futeboldeartista.blogspot.com/ .

Quem quiser dar uma olhada na revista toda, aqui está o link: BELEZA BAHIA Nas páginas 46 e 47 (FUTEBOL) e 52 e 53 (BELEZAS INUSITADAS).

Abaixo, o texto da coluna Belezas Inusitadas:

Vamos arrumar a casa?
Adriana Amorim

Quem nunca passou o dia, ou parte dele se dedicando àquela faxina, quer seja ela da casa, do quarto, do guarda-roupa, da gaveta, da bolsa, ou mesmo da alma?

É uma atividade cotidiana, do ponto de vista de sua natureza e não necessariamente do ponto de vista de sua periodicidade. A gente faz ‘aquela’ faxina quando está precisando mesmo, quando não fazê-la é quase como segurar o curso da vida. E, confesse para si mesmo, a gente sabe exatamente quando esse momento chegou.

Eu digo que não tem nada mais gostoso do que uma manhã de sábado de faxina. Pode até ser outro dia, outro horário, mas sempre será como se fosse o sábado dedicado à limpeza. A gente abre as cortinas – da casa, do quarto, da vida – bota aquela música para ouvir, dançar, sorrir ou chorar, cantar muito, muito alto para que todos os vizinhos se lembrem de que não moram sozinhos no deserto e que a pessoa do lado tem sentimentos e uma bela voz (ou não) que expresse estes sentimentos.

Pode ser Edson Cordeiro, Luiz Caldas, Silvano Sales, Gonzagão, Mozart, Chico Buarque. Pode ser Marisa Monte, Margareth Menezes, Laura Pausini, Tetê Spínola, e por que não, Xuxa. Ilariê, pagode, arrocha, forró, funk. Pode até ser uma ópera ou aquela MPB politicamente engajada. O que vale é tocar no coração e alimentar a faxina, quer seja pelo prazer e pelo entusiasmo, quer seja pela evidente necessidade de tirar o que não serve mais daquele lugar onde jaz.

Já estamos cansados de saber que material encalhado prende energia, a vida para, não anda pra frente e a gente fica meio perdido, sem saber porque as coisas pararam. Já sabemos o bem que faz à alma um espanador de pó e um pano de chão com balde de desinfetante. Sabemos das maravilhas de trocar os móveis de lugar. E para os bem-nascido que estão arrepiados só de pensar na possibilidade de fazer uma limpezinha na própria casa (função da empregada), eu garanto: Não há nada melhor do que a sensação de que a gente pode limpar a própria sujeira, arrumar a própria casa, ser dono da própria vida. Digo isso, porque quem acredita que mexer com a sujeira da casa é serviço sujo para gente desprovida de conforto que tem que limpar a sujeira alheia para ganhar o próprio pão, acaba por se afastar do que a vida tem de mais concreto. Acaba se privando de viver todo e cada momento dessa vida, incluindo aí seus bônus e seus ônus.
Ninguém morre por arrumar a própria cama. Não se perde uma unha por lavar a louça do café uma vez na vida, ou mesmo dar aquela lavada no banheiro. A única coisa que você vai encontrar ao realizar estas atividades são os rastros de sua própria existência. Por que negá-los? Por que sempre delegar a outro a limpeza e ordem de sua vida – incluindo a necessidade de se livrar dos dejetos – a outra pessoa, como se isso fosse a nossa pior parte, a mais imunda, a mais abominável? Em muitos países, eu soube, não há o costume de se ter empregados em casa. No Canadá, por exemplo, me contou uma amiga que morou em Vancouver, só os muito ricos têm empregados. As pessoas normais dedicam-se a limpar suas casas, cuidar de seus próprios jardins, recolher seu próprio lixo, sem que isso seja demérito nenhum. Faz parte da vida. E é tão bom ter saúde e disposição para fazer isso.

Mas, voltando à beleza de uma bela faxina, para todos, de qualquer classe social, nível de escolaridade e faixa salarial, existe na realização da faxina uma possibilidade de encontro com essa nossa natureza humana. E quanto mais a gente se livra da sujeira, do excesso, do encalhado, mais a gente gera espaço na casa, no quarto, na vida. Quanto mais a gente joga coisa fora, mais a gente se renova. Vazio, a gente não vai ficar jamais. Liberando espaço, novas coisas vêm. Coisas boas, se a energia é boa. Gente boa vem. Coisas boas acontecem. E de repente, a gente se pega mais leve, mais feliz, mais otimista. O que era problema, agora se revela como parte da vida, percalços pelos quais a gente sabe que vai passar, mas se revolta quando finalmente eles chegam.



E na delícia de um fim de faxina – tem que terminar antes que o cansaço faça você desistir, embolar tudo e atochar num canto – sempre haverá um belo banho para nos restabelecermos. Ainda ao som da música companheira, você vai encontrar, eu tenho certeza, lá no fundo do espelho que te olha, um belo sorriso que te diz: Vale a pena estar aqui. A vida é bela. A vida é inusitadamente bela.
 

domingo, 2 de outubro de 2011

SERVIDORES PÚBLICOS: carta fora do baralho



Gente, eu sei que a gente só grita na hora em que o calo aperta e eu tenho que confessar que o meu apertou e por isso agora, eu vou gritar!

Foi com muita alegria (e estudo!!!) que eu passei no concurso pra Professora de Teatro da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Estabilidade no emprego, possibilidade de realizar meu sonho de viver com o teatro, interlocução com o interior, enfim, muitas alegrias.

Mas, descobri a duras penas que em tendo me tornado funcionária do estado eu fiquei impossibilitada de participar de todo e qualquer edital ou concurso promovido pelo meu empregador.

Aí eu fique pensando um pouco no sentido dessa proibição, assim, em toda e qualquer atividade e pensei que é possível a gente tentar fazer uma reflexão sobre essa proibição. Parece que é mais fácil copiar o parágrafo da proibição e colar, sem nem dar uma refletidazinha com a classe sobre o assunto. Ou será que já teve e eu perdi? Pode ser, né...

Primeiro porque as leis não são naturais - a não ser as leis naturais, obviamente - e elas devem servir aos interesses daqueles que a criaram, nós, as pessoas. Então, se em algum momento elas deixarem de fazer sentido da forma em que foram criadas, elas podem ser extitnas ou transformadas, certo?

Segundo porque a gente tem percebido que os artistas têm ingressado cada vez mais no funcionalismo público, quer por concurso, quer por Reda ou outros meios. Na área de educação, administrativa, enfim. A gente tem que comer, né, gente... Quantos estudantes recém formados em Licenciatura foram aprovados no concurso recente para professor de arte do ensino médio na Bahia? E aí? Não poderemos mais participar de edital nenhum? Porque felizmente nós  na Bahia (em Jequié e em Salvador) temos um perfil de licenciatura que dialoga muito com a prática artística, então muitos dos nossos professores de teatro são atores, diretores, artistas das visualidades, das musicalidades... artistas. Ponto!


Eu tava até me conformando com o edital de montagem, pensando em possíveis razões para essa inflexibilidade, porque é não poder participar de forma direta nem indireta, ou seja, eu não posso ser proponente e nem estar na equipe. Depois veio o edital de circulação. Eu não posso botar minha peça de novo em cartaz no projeto de verão e agora o que mais me doeu: eu não posso participar de um concurso de crítica, que pra minha carreira seria tão importante, por conta  do blog, por conta de meu trabalho como professora de dramaturgia e por conta do meu doutorado que é em recepção estética. Não posso! Não posso mais nada com a Secretaria da Cultura...

Eu gostaria, muito honestamente de entender os motivos, se alguém souber, pode escrever nos comentários. Será que é para evitar favoritismo? Mas o concurso de crítica é por pseudônimo... Será que é porque acham que encontramos um emprego TABAJARA  e nossos problemas acabaram e que com nosso salário dá pra viver e ainda montar um espetáculo? Será que é porque ... ou porque, ou ainda porque.... Eu juro que não sei. Quero ouvir o que vocês acham.

Gostaria de convidar a comunidade artística, os nossos gestores para debatermos um pouco mais sobre essa questão e sei que vão dizer, "Ah, só agora, né, porque não pode mais..." Mas me digam vocês, quem luta por mudanças é quem precisa delas, né não? Qual é o grande problema de nosso país se não o fato de termos secretários de transporte que não pegam busu?

Enfim. Tá feito o desabafo. Vou mandar um email para Nehle Franke, Albino Rubim, Elísio Lopes pedindo para abrir um debate sobre o assunto. Podemos ver como é o caso em outros estados e mesmo como acontece com os editais federais. Imaginem, Alam é funcionário federal e eu estadual, não podemos mais pleitear verba num mesmo projeto... Ele não pode no Minc e eu não posso na FUNCEB... Lascou.

Não precisa ninguém sugerir que a gente abra mão do emprego, tá gente... sem grosserias, por favor.


Pronto, desabafei. Gostaria de saber o que vocês pensam sobre. Vou aguardar ansiosa!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

BREVE espaço para o afeto

Ontem fui ver alguns amigos queridos no palco. É o espetáculo BREVE do diretor Thiago Romero e seu Teatro da Queda.

No começo estava bem empolgada com o clima que estava sendo construído com a plateia. Gostei muito da ambientação da sala de espetáculo, adoro linólio branco. Acho bonito. Só isso. Isso que é tanto e ao mesmo tempo tão pouco nesse universo de apreciação estética.

Achei a peça jovem. Talvez excessivamente jovem. Fiquei me perguntando por que os jovens fazem mais teatro que os maduros. Longas hipóteses e possibilidades.

O clima criado na peça me agradava e eu achava que uma experiência estética legal e descontraída estava sendo proposta ali. Por que não? Qual o problema nisso?

No entanto, a peça foi se redendo ao realismo e a um drama que eu julgo desnecessário. O que era uma promessa de um jogo entre elenco e plateia, tornou-se, ao apagar das luzes gerais, mais uma peça fechadinha, dentro de um jogo que se impunha mas foi abortado. E o teatro realista realizado no 'invés de' não foi suficiente para justificar a troca.

Acho que dava para ter radicalizado na proposta inicial. Ainda temos, como atores e diretores, medo dos riscos de envolver de fato a plateia no jogo cênico, e ficamos, na maioria dos espetáculos com interação, simulando uma participação do público, fazendo o público dizer aquilo que queremos ouvir, porque é mais seguro que ele nos diga isso.

Em vários momentos da peça, senti vontade de intervir, mas não havia no código criado ali espaço para minha interferência. Era como se dissessem: 'essa parte é teatro sério, não cabe sua participação'.

Queria dizer, por exemplo, que a cena do chilique de Duda Woyda não convence, por mais que os atores construam realistica e stanislaviskianamente a cena que era pra parecer verdade, mas que todo mundo sabia - eu acho - que era cena.

Eu já havia sentido esse mesmo incômodo com a peça que veio do Rio de Janeiro e que eu achei bem chata, com outro Duda, o Moscovski, a peça CORTE SECO. Um jogo pela metade. Um simulacro de jogo.

Eu sinto que a coisa de contar histórias pessoais, de infância, do cotidiano da casa viraram a cachaça da vez nos palcos brasileiros. Já vi isso em muita peças e eu mesma já fiz isso em Solo Compartilhada. Rastros do Teatro Essencial de Denise Stoklos. Mas, o modelo foi sendo reaplicado, sem mudanças, sem variações e sem críticas, talvez. Era lindo e poético quando era subversivo. Agora virou o padrão. E cá pra nós, nem todo mundo tem aquele tempo cênico de transformar lembranças em cena.

Mas, tem uma coisa HIGH TECH em Thiago Romero que eu gosto muito e tem uma vontade de fazer outras coisa que não teatro realista que eu acho louvável neste grupo. Se eles ainda estão engatinhando, que engatinhem, levantem e andem. De que serve pisar na cabeça da criança que engatinha?

Eu gosto da alegria e do colorido do projeto, desde a divulgação até o cenário, como já disse. Repito que o que me incomoda na peça é quando ela não confia naquilo que propõe e acaba por se trair, recorrendo a cenas realistas (e aquela coreografia modernosa que eu também não sou muito fã, mas enfim) como se estes recursos fossem necessários para legitimar aquela experiência como teatro.

Desde Arde que eu acho a poesia e memória da dramaturgia de Romero um pouco frágeis para serem levadas aos palcos. Gostaria, talvez, de ler seus textos. Mas, acho que ele pesquisa e experimenta e isso é coragem e vontade de fazer. Reconheço seu talento, sobretudo no campo da visualidade da peça. Adorei Córtex, que é muito visual. Acho interessante que Romero invista em atores que não são do circuito de queridinhos do palco soteropolitano que se contam nos dedos da mão. Acho que existe uma afetividade em seu trabalho, na equipe que trabalha com ele e isso pra mim, ainda é - e eu espero que seja sempre - fundamenal.

Quanto ao trabalho dos atores, acho que é difícil falar, porque eles operam num limite entre algo que poderia ser o espetáculo e o que ele acaba sendo. Como comentar sua performance? Do ponto de vista do desempenho na construção de personagens? Do carisma? Da expressão corporal? Mas também, o que podemos dizer de interpretações em época tão híbrida e de tantas provocações e possibilidades? Fica como qualidade, para mim, a disposição para tentar, para se descobrir. Só acho importante tentar fugir ao equívoco, à tentação de em considerando que se pode tudo, nada é nada. Se tudo vale, não tem porquê se esmerar em algo. Não que isso aconteça aqui, deliberadamente, mas em alguns momentos pode parecer um risco real.

Não acho que BREVE seja um acontecimento revolucionário do teatro, nem acho que era para ser isso. Acho que é um grupo experimentando uma linguagem, com coerência e dedicação. E não podemos negar que o Teatro da Queda tem um público cativo, sempre com casa cheia e isso não é pouca coisa. Talvez as críticas feitas à peça em outros espaços de análise não vejam como relevante o fato de se ter um teatro com temática ou estética jovem, adolescente talvez, levando gente ao teatro, mantendo jovens afeitos a um grupo específico servindo de importante entrada para o universo do teatro. Essa nossa mania de achar ruim tudo o que lota teatro, como se peça boa fosse peça para poucos.  Peça para os escolhidos, os iniciados, os especialistas, os bem dotados de intelecto e conceito. Coisa mais neoclássica (para não dizer cafona) impossível.

Acho que é isso.

Vejam bate-papo com THIAGO ROMERO, nosso primeiro entrevistado no DEZ MINUTOS COM... há algum tempo atrás. Tá lá no finalzinho da página. CLIQUE AQUI.

Acompanhe o blog do TEATRO DA QUEDA.


FICHA TÉCNICA

Concepção e Direção: Thiago Romero
Elenco: Duda Woyda, Guilherme Silva, Gustavo Nery, Karen Souza, Ricardo Albuquerque, Márcia Gil-Braz e Luiza Bocca
Figurino: Tina Melo
Cenário: Deilton José
Trilha: ZERO, Thiago Romero
Vídeos: Gustavo Nery

sábado, 17 de setembro de 2011

ENGENHO DE COMPOSIÇÃO

 Gentes.

Depois de um movimentado semestre de estréia (minha e de mais 3 novos professores de Artes da UESB - Jequié), eis que estamos prontos para nosso primeiro ritual de passagem. Trata-se da mostra ENGENHO DE COMPOSIÇÃO, onde serão apresentados para a comunidade de Jequié e região, com entrada franca, três espetáculos resultantes de disciplinas prático-criativas de Teatro e Dança.



O primeiro semestre vai apresentar o espetáculo LATUMIA ou A HISTÓRIA DE AMOR DE ROMEU E JULIETA, da obra de Ariano Suassuna, com direção de Roberto Abreu, já na sua terceira mostra, posto que é professor veterano, na casa desde a primeira turma do curso. Neste semestre, os estudantes de dança e teatro estão estudando o chamado tronco comum, e ocupam durante um ano, a mesma sala de aula.
20 e 21/09 (ter e qua) -18h e 20h





O 3º semestre de Dança apresenta a sua primeira coreografia, com orientação de Flaviana Sampaio, professora recém-chegada como eu, que encarou o duro desafio de já no primeiro semestre na casa, dirigir um espetáculo coreográfico completo. CABALÉ é uma provocação ao códigos do balé clássico, misturados ao universo do Cabaré. Uma provocação técnica e temática que resulta num espetáculo instigante, pelo que eu pude ver dos ensaios.
22 e 23/09 (qua e qui) - 18h e 20h



O terceiro semestre de Teatro está sob orientação de minha amiga (também caloura) Carla Meira Pires que ministra e disciplina Improvisação e Jogos Teatrais I. Essa turma coloca no palco o espetáculo VITRINE LUDENS, um jogo de cena inspirado nas memórias dos participantes. Carlinha também é retada, porque também encara a montagem de um espetáculo completo, já de chegada. A galera não tem medo de se jogar. Eu amo esse povo!
24 e 25/09 (sex e sáb) - 18h e 20h



INTERFACES POÉTICAS

Eu, Adriana Amorim, professora de Teóricas, vou expor discretamente entre as apresentações da noite, pequenos textos dramáticos produzidos por alguns dos estudantes do 3º semestre de teatro na disciplina INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO TEXTO DRAMÁTICO. As leituras serão feitas por professores do curso, sob minha orientação. A ideia é brincar com a relação entre estudantes e alunos, além de colocar os professores no palco, sobretudo os que não são de teatro e dança, para que experimentem esta estranha sensação de ser outro na frente de tantos. As apresentações seguem o roteiro abaixo:

QUARTA-FEIRA: entre as sessões de18h e 20h:

Leitura do texto Pão com Manteiga de Valter Amorim
Com os Profs. Marcos Aurélio Souza, de Literatura e Carla Meira de Teatro

QUINTA-FEIRA: entre as sessões de 18h e 20h:
Leitura do texto Vamos a la tierra de los pies juntos de Matheus Xavier
Com os Profs. Marcos Salviano, de Letras e outra professora que ainda estamos procurando...

SÁBADO:
Leitura do texto Chocóladra de Poliana Lopes
Com os Profs. Aroldo Fernandes, Roberto Abreu, Flaviana Xavier, Adriana Amorim, e outros que ainda estamos procurando...


Aroldo Fernandes, professor de TECNOLOGIAS APLICADAS À CENA e de ELEMENTOS DA MÚSICA PARA A CENA apresentará uma mostra de vídeos produzidos pelos próprios estudantes, incluindo roteiro, captação de imagens, edição e sonorização. A mostra estará exposta durante toda a programação.

Gostou?

Então, programe-se. Dê um pulinho no Centro de Cultura de Jequié entre os dias 20 e 25 de Setembro e veja a revolução artístico cultural que se ensaia no Sudoeste da Bahia.
Depois das apresentações, tem sempre um delicioso barzinho com boa comida, bebida, música e preço, esperando essa gente sedenta de cultura e alegria.
E vá se acostumando a essa mudança de eixo que acontece na Bahia, quando sair o interior e ir para a capital deixa de ser a única rota possível quando se fala em turismo cultural.
Além das festas juninas, essa inversão de direção já acontece com o Festival de Inverno, o Festival de Lençóis, Festival de Jazz da Chapada, as apresentações de óperas na Casa dos Carneiros de Elomar Figueira, em Conquista e tantos outros eventos que eu com certeza estou esquecendo.

Abra sua cabeça, pegue sua mochila e venha nos prestigiar.

Tem muita gente feliz aqui esperando para compartilhar dessa felicidade de estar vivo, de fazer arte, de viver o interior!

domingo, 4 de setembro de 2011

DRAMATURGIA FUTEBOLÍSTICA - para mim, a melhor de todas!!!!

Romeu e Julieta não morrem e se casam!

As filhas do Rei Lear são boazinhas e cuidam do papai até a morte!

Macbeth desiste de matar o Rei e fica bonzinho e tem filhos com a Lady que estava só de TPM!

Joaquim, Helena Lucília e Marcelo recuperam a fazenda de café depois de pagarem A Moratória.

Bahia vence o Flamengo de 3 X 1 no Engenhão.

É por aí.

A Dramaturgia do Futebol é mais ou menos como ilustrada acima.

Final conhecido? Jamais.

Previsível? Raramente.

A nação tricolor hoje viveu a alegria quase que inimaginável de vencer do Flamengo depois de uma série de jogos horrorosos, de desempenhos maçantes, contra um time carioca, favoritinho de juízes, repórteres comentaristas e torcedores. O queridinho do Brasil, depois de 5 jogos sem ganhar, achava que ia fazer a feira com o Bahia. Ledo engano.

Para o futebol, haverá sempre o imprevisível.

Para nossa dramaturgia futebolística, haverá sempre o destino e para narrá-la, haverá sempre o leitor-torcedor, dono absoluto da alegria de traduzir em palavras, ao longo da semana (ao menos até quarta-feira quando uma nova obra estreia) essa grande obra da natureza humana que é um jogo de futebol!

É bolada, Dramaturgo-Torcedor!


sábado, 3 de setembro de 2011

TRUPE DE TEATRO NOSSOS TRECOS

Parece trava língua, e de repente até é, mas trata-se de um grupo de teatro que vem produzindo e ganhando espaço no cenário de teatro infantil, principalmente, em Salvador e Região Metropolitana.

É a TRUPE DE TEATRO NOSSOS TRECOS, formada em sua maioria por jovens atores, diretores e dramaturgos, estudantes ou formados em Licenciatura em Teatro e que participaram de projetos sociais com o foco em teatro.

Uma nova de formação de atores, a integração da arte com processos educacionais, quer seja pelos projetos sociais com vinculação artística, como foi o CUIDA BEM DE MIM de onde saiu boa parte dos artistas da Trupe, quer pela prática do teatro nos cursos de Licenciatura.

Novos e cheios de vontade, livres dos ranços e das brigas e embates que engessam a velha guarda do teatro baiano atolada em muitas reclamações e poucas produções, esses meninos e meninas querem mais é fazer o teatro deles, conseguir verba para trabalhar de forma justa e viajar em suas experimentações estéticas.

Admiro demais essa gente que se juntou com quem se afina e não ficou na lamúria de tentar entrar nos grandes círculos (herméticos) em busca de ser o novo Wagner Moura ou o novo Lázaro Ramos. Querem ser eles mesmos, fazer o que tão a fim e, de quebra, se der, fazer sucesso, claro.

Público, eles já tem aos montes. Com seu primeiro espetáculo LARISSA E SEUS AMIGOS MÁGICOS, conquistaram o exigente público infantil e em três anos poucas vezes estiveram fora dos palcos. Infelizmente eu não assisti ainda (VERGONHA...), mas tenho certeza que assito em breve e comento aqui.

Apesar do nome guti-guti, eles também já fizeram um espetáculo adulto INSUPORTÁVEL, UMA COMÉDIA DE BATOM VERMELHO, com texto também de Jones Mota, como as demais produções do grupo. Para conhecer quem é quem na trupe, entre nos sítios do grupo, relacionados logo no finalzinho do post.


Mas, eu já falei demais, né.

Assista ao animado bate papo com JEFERSON ALBUQUERQUE, IVE-ANNE STANCHI, LORENA GIAMBERTINI e TAIANA LEMOS (todos meus ex-alunos, atuais colegas e sempre amigos) onde falam da história, da relação com o público, os desafios  ao longo destes anos e sobre a nova produção que estão preparando: MEIA DÚZIA DE PEPINOS.

Eu curti muito fazer, espero que vocês curtam assistitr.


Para saber mais sobre o grupo acesse o site:


ou blog:

http://trupenossostrecos.blogspot.com/

E, agora sim, assista à entrevista CLICANDO AQUI.




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DUAS TEMPORADAS DE VOLTA

Gentes.

Dois ESPETÁCULO inspiraram textos do VI E QUERO COMENTAR e do DEZ MINUTOS COM... estão de volta aos palcos baianos.

Por isso, aproveito a oportunidade para convidá-lo a ler ou reler nossas considerações sobre estes espetáculos e artistas:

O primeiro deles é DÁ UM TOQUE QUE EU RETORNO, que eu comentei e critiquei bastante o espaço onde estrearam, comprometendo-me a reassistir assim que eles voltassem em outros espaço, para que eu fizesse um novo comentário. Não fui ainda, mas estou comprometida. Assim que der eu quero ver a nova temporada. CLIQUE AQUI PARA LER O POST





 Outro que volta aos palcos - e que para nosso bem, quase nunca sai deles - é o talentosíssimo e plural FABIO VIDAL, que volta com a CONEXÃO VIDAL, presente tanto no BAHIA EM CENA quanto no FILTE.
CLIQUE AQUI E LEIA O POST e EM SEGUIDA ASSISTA À entrevista com o idealizador deste trabalho.



Leia, comente, divulgue, siga!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

GRAND THEATER PÃO E CIRCO

Gente, infelizmente não pude ver essa temporada da excelente peça da Manada Confraria de Teatro, grupo que eu admiro profundamente. Assisti há aproximadamente dois anos e afirmo até hoje que é uma das melhroes peças que eu já tive o prazer de assitir.

Curiosamente mexendo em meus back-ups, encontrei um trabalho produzido para a disciplina TEORIA DA RECEPÇÃO quando ainda estava no mestrado. Nesta disciplina, ministrada pelo meu querido orientador de então e de agora, tínhamos que fazer um comentário sobre algum espetáculo, mas a partir de um conceito de crítica bem diferente do que tenho feito aqui no blog. Neste princípio, devemos evitar fazer juízo de valor e devemos tentar nos ater apenas à descriação da experiência. É óbvio que eu não consegui mutia isenção, vocês já me conhecem...

O texto é longo, mas Kahrol Ribeiro com seu trabalho primoroso e impactante valem a longa leitura. Observem as mudanças no visual da peça, sobretudo no figurino e maquiagem que a peça foi sofrendo ao longo dos anos.

Espero que gostem. E lamento que teatro não é como cinema que deixa a obra aí pra sempre. Queria que essa peça ficasse em cartaz pra sempre, mas pra sempre não é da nossa natureza. Paciência.

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Análise do espetáculo Grand Theater Pão e Circo, da Cia Manada de Teatro.

Criação, direção e atuação: Carol Kahro


O grande cartaz com um boneco andrógino convidando o observador é provocativo. A sinopse parece um pouco pretensiosa. Diz-se que o espetáculo solo trata de questões da contemporaneidade, da influência da mídia em nossa geração, fazendo um paralelo com o pão e circo romano. Restava no ar o conflito entre o convite sedutor do cartaz e a desconfiança de sinopse tão abrangente.
No dia internacional do teatro, dentro da programação este espetáculo volta a cartaz e ei que vou render-me ao convite visual. Na entrada, o cartaz se configura em cima do palco. A atriz, andrógina como o personagem do cartaz com maquiagem precisa e figurino básico, parece assustada, recebe a platéia de cima do palco, acenando, indicando lugares para sentar. O cenário é repleto de quadrados de cores no tom terra. Algumas caixas de diferentes tamanhos e um tapete que avança para formar a parede do fundo, onde se encontram algumas telas de tv.
Terminada a entrada da platéia a atriz posiciona-se no proscênio e começa a narrar uma tragédia familiar, descrevendo os mínimos detalhes, ao mesmo passo em que vai desenhando o acontecimento com o corpo. Fala de uma família que está sob a mira de muitos revólveres de policiais que ameaçam invadir a casa se o marido não se entregar. Construindo com muita dinâmica a cena, ela passeia por todos os personagens, pai, mãe e crianças, ao mesmo tempo em que descreve a cena.
Parada brusca na história. Daí em diante a atriz vai vivenciar cenas de uma mulher normal em seu cotidiano classe média. No intersecção das cenas, porém vão aparecendo cenas nas telas de TV da violência no oriente médio. A personagem vai dialogar com os fatos apresentados na TV. O texto, construído de forma extremamente eficiente constrói com a encenação uma sensação para o público de extrema clareza de seu conteúdo, de altíssima ironia e de uma proximidade com nossa própria história, que chega a nos constranger. Rimos, mas pensamos: e eu, por acaso não sou assim? Esta é a pergunta que vai nortear todo o espetáculo.

Essa personagem vai ganhando vida através de cenas separadas com muita definição. O apuro técnico tanta do trabalho da atriz quanto das opções de encenação dão ao todo mais clareza e crueldade, pois os fatos parecem ser incontestáveis e a viagem estética que se promove através de cores e formas geométricas parece hipnotizar o espectador. A precisão do texto está no cenário, no figurino e sobretudo no trabalho da atriz.
A partir da entrada na vida desta personagem, sua relação com o filho, com a empregada, com os amigos e sobretudo consigo mesma, através das cenas de extrema solidão, mais do que revelar o stanislavkiana psicologia da personagem, vai nos provocando e retomando a todo instante a pergunta inicial: e eu, sou assim?
Uma das cenas que chama atenção pelo contraste, próprio do dia-a-dia, entre o discurso proferido e a ação realizada ao mesmo tempo. A personagem que se diz defensora dos direitos humanos e sentiu-se tocada a pouco pela morte de uma mulher no oriente médio diz para a empregada, ao reclamar da arrumação equivocada do armário: “Esta parte ficam as comidas do meu filho, aqui as minhas e aqui as que você também pode mexer.” No mesmo instante ao negar aumento de salário para a empregada, argumentando que tem que pagar a academia, pede no mesmo discurso para que a empregada cuide de seu filho no domingo à noite, implorando, recorrendo aos sentimentos da empregada, que obviamente, não recebe o aumento e ainda aceita trabalhar no domingo a noite. Independente da simplicidade do enredo desta cena, o impacto está na interpretação da atriz, que sozinha, entre caixas, nos permite experimentar a existência da empregada, dos móveis, da casa.

Em outras cenas a personagem experimenta de uma solidão profunda ao esperar pelo homem que ela considera seu namorado, mas que obviamente – isso percebe-se pela ingenuidade do diálogo dela no telefone com ele – não tem mais interesse nela. Ela, no restaurante, sem dizer palavra, senta-se, entusiasmada e o relógio digital nas telas da tv vai marcando o passar cruel da noite. 19, 20, 21... 24h. Seu humor altera-se e toda a compreensão descrita aqui parte do trabalho corporal da atriz. O intervalo entre as horas de espera no restaurante é permeada por cenas que cruzam esta, marcando horário anterior á chegada no restaurante, incluindo uma conversa com uma amiga e a conversa citada acima com a empregada. O tempo é todo cortado e o espectador é convidado a aceitar o estranho, o que não se compreende, mas se delicia no olhar, para depois respirar aliviado: Ah, entendi!!!
Durante a apreciação parece impossível não apreciar o trabalho da atriz para além da encenação. Além de nos envolvermos com a história que é contada ali e com o jogo cênico, surpreende as mudanças de personagem ou de humor da atriz fazendo o mesmo ou outros personagens.


Numa cena em que o suposto assaltante que violenta a personagem é interrogado, a atriz coloca-se no lugar de promotor público e diz impropérios a um balão de gás hélio preso a uma caixa de madeira. O balão é azul e de uma infantilidade tocante. Mas ali, na contracena com a atriz o balão é o cruel assassino que merece ser torturado e pagar por sua deficiência de moral e caráter. Num discurso contundente, irônico e provocativo a atriz como que encostasse uma navalha no pescoço do público questionando: “e você o que acha disso?” Num dado momento ela pega o dito marginal pelo “pescoço”e diz-lhe: “Alguma coisa deu errado em você. A natureza falhou. Você é um defeito da natureza.” Então convida todas as vítimas do criminoso a se vingarem dele. Promove uma fila para o linchamento organizando explicando: “crianças, idosos e gestante tem preferência.” Como fica parada esperado o primeiro a reagir, uma pessoa da platéia aceita o convite, no que a atriz rebate: “ a senhora agora, não, tem que ir para o fim da fila.” A platéia, que já estava em suspensão por conta da intensidade da cena do promotor e da crescente empolgação que adquire ao organizar o linchamento, aplaude e apega-se a este momento de poder retornar a um nível menos pesado da existência.
A seguir, a empregada volta pra casa e encontra-se com seu marido e seus filhos. Aos poucos, através das cenas realizadas e através das imagens de violência na TV, quando são projetados recortes de telejornais onde só se fala na intensidade da violência urbana, na crueldade dos métodos, na ação dos policiais que deveriam proteger e dar segurança aos civis, vamos percebendo que esta família é a família do início do espetáculo e já começamos a sofrer por antecipação, pois já sabemos o final da história. O que não nos assegura, porém de não sofrermos, pois a cena vai sendo criada numa velocidade compatível com o que vivemos hoje nas nossas relações urbanas e midiatizadas. De um outro ponto de vista, o que foi descrito no começo, vemos a mãe, os filhos e o pai, acuados pela polícia, Nas telas do cenário, os telejornais vão contando a história que passa a nossa frente, com cortes bruscos e imagens de diferentes emissoras sobre o mesmo caso. A tensão vai subindo, os textos da atriz em qualquer um dos personagens – pai, mãe e crianças – casa perfeitamente com os textos da TV. Aos poucos vamos entrando na tensão criada pela cena, a atriz, como mãe gritando desesperada para proteger os filhos, pedindo que o marido se entregue, como pai, tentando compreender o que está acontecendo, sem saber porque deveria se entregar, como os filhos, gritando com medo da morte, até que grita incansáveis vezes o nome do marido, quando atriz e platéia, já exaustos, descansam sobre a crueldade do desenrolar da história, sobre o desespero do vazio, sobre a dor de não sabermos o que fazer diante do que percebemos, mas não compreendemos.
Com os olhos cheios de lágrimas, comovida pela experiência, pelo vigor político e pelo trabalho artístico realizado diante dos meus olhos, bato palmas incansavelmente durante, sem dúvida, mais de dois minutos. A platéia em delírio. A atriz chora comovida e agradece a presença de todos.

Eu saio da sala de teatro tremendo, invadida por impressões, certezas e dúvidas. Uma sensação de maremoto toma conta de mim. Sinto tontura até. Aguardo ansiosa por um contato com a atriz, dou-lhe um breve abraço, parabenizo-a e sobretudo, agradeço. Até hoje, aguardo a volta do espetáculo para recuperar partes do enredo, soluções cênicas, imagens perdidas na escolha do olhar que requer o teatro. E fortaleço-me com o sentimento de que a arte enaltece a existência, traduz o indizível, recolore as tintas desbotadas da existência.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

O palco na Telona

Não é de hoje que o teatro inspira outras atividades humanas. Psicologia, Filosofia, Música entre tantas outras, buscam no universo paralelo criado pelo teatro (seja na dramaturgia, seja na encenação ou mesmo na prática cotidiana de se fazer teatro, de se viver para o teatro) um tema, um mote, uma história, uma reflexão, uma teoria...
Tudo isso e muito mais nos é oferecido o tempo todo pelo generoso ato de representar, e aqui eu digo representar num amplo sentido aristotélico de recriar o princípio criador.


Tá ficando pesado o post, né? Parecendo tese... por que será? Vai piorar, veja só:

Mas o cinema, ah, este tem um verdadeiro caso de amor com o teatro. A gente até chega a achar que é seu filho direto. Cleise Mendes em As Estratégias do Drama nos lembra ao discutir sobre a Convivêcnia Dramática:

“Existe uma arte do drama e uma arte do teatro. Se durante séculos o palco foi o lugar privilegiado para uma leitura produtiva dos textos dramáticos, no presente o drama tem íntimas e inquietantes relações com outras linguagens, entre as quais a grande arte cinematográfica.” (MENDES, 1995. P. 30)
Num falei? Rolou até citação... Isso que dá fazer post no meio dos estudos do doutorado. Mas, avancemos...

Não é à toa que a relação do teatro com o cinema é mais do que íntima, é de parentesco. Cineteatro. O termo vem justamente do cinema enquanto lugar onde se assiste o filme. Lembrando aos desavisados que teatro é, etimologicamente, o lugar preparado para o olhar, do grego THEATRON. Home-theater não é para você assistir a peças me casa, mas sim, a filmes. E nos traillers a gente sempre vê em inglês: ONLY ON THEATERS (ou theatres ambos corretos), que é APENAS NOS CIMENAS, ou seja, ainda não em dvd. Só na sala preparada para o seu olhar.

O que eu quero dizer em relação à citação de Cleise Mendes (minha querida professora de Dramaturgia) é que não estou falando apenas do drama (do grego DRONTAS, ação) no cinema, quer seja a dramaturgia do roteiro ou um texto dramático que tenha virado filme. Essa categoria será a segunda leva de sugestão de filmes, porque são muitos, muitos, muitos filmes cujo roteiro é a adaptação de uma peça.

As diferenças entre texto dramático e texto teatral são ótimos de serem estudados, mas não cabe aqui, né. Alô queridos estudantes de Jequié, esse papo é privilégio nosso...


O que está nessa página O PALCO NA TELONA, nesta primeira edição é uma lista de 20 filmes que versam sobre o universo do teatro.

Histórias sobre atrizes, atores, grupos, autores, sobre um determinado período da história do teatro, portanto da humanidade, ou mesmo reflexões sobre este mundo que olhado assim, bem de pertinho nos falam tanto dessa tarefa árdua e doce de ser gente.

Não é à toa que segundo Harold Bloom (lá vem eu de novo...) diz que Shakespeare inventa o ser-humano, ou que a Tragédia Grega seja apontada nos estudos da Psicologia e da Filosofia como o berço do homem ocidental, como o conhecemos (e o somos) hoje. Mas, voltemos à lista:

A maioria deles eu já assiti, outros foi buscando em blog mesmo. Alguns eu gosto muito, outros eu acho chatos, mas todos importantes.

Entre os meus favoritos está o clássico A VIAGEM DO CAPITÃO TORNADO do maravilhoso Ettore Scola de quem eu amo todos os filmes. Além de uma linda viagem pela Commedia Dell'Arte o filme é uma viagem pela o universo da beleza. Enfim, clássico é clássico, né.

Outro queridinho é do meu outro ídolo do cinema Fernando Meirelles, que apesar de ser uma adaptação de uma obra canadense, tem uma íntima relação com nossa realidade brasileira. Elenco, direção, roteiro, Afi Maria é tudo perfeito. E a trilha? Secos e Molhados para os novos conhecerem e os velhos morrerm de saudosismo. Tudo de bom. SOM E FÚRIA coloca Shakespeare dentro da nossa sala, do título ao roteiro, passando obviamente pelas obras encenadas pelo grupo. A humanidade das personagens, todas elas, do protagonista aos figurantes é tocante. A brincadeira interna dos nomes, todos ou sua maioria tirados do universo dos grandes autores e diretores e personagens da dramaturgia universal (sem contar com a homenagem-veneno à grande crítica Bárbara Heliodora)são um presentinho para quem faz teatro e entende a piada. Amo muito.

PERGUNTE-ME SE ESTOU FELIZ é menos conhecido, mas nem por isso menor. Linda comédia sobre atores amigos e sobre uma montagem de Cyrano de Bergerac que acabou por inspirar o rebanho de atores numa de nossas montagens. Delicioso!

Alguns eu conheci há pouco. ILLUMINATA eu assisti por acaso num canal fechado nessas madrugadas que a gente fica zapeando. Belíssimo. LOPE eu assisti porque é tarefa de quem faz teatro assistir a essas obras, mas honestamente eu num gostei, não. Primeirisimamente porque fala mal de Miguel de Cervantes e não dá pra levar muito a sério alguém que solta vários venenos questionando a qualidade literária de Cervantes. Tudo bem que sua grande obra seja um romance, mas eu acho feio esculhambar um artista para elogiar outro. Fico já de má vontade com essas práticas. Depois, o filme é ruim, o ator principal não tem carisma, o roteiro é previsível até a alma e tem cenas que são uma cópia da versão cinematográfica de Cyrano de Bergerac (de novo) na versão com Gerard Depardieu, que eu adoro! Gosto da direção de arte, da ambientação, da reconstituição história e só. Mas tem que assistir, viu, gente, não dá pra ficar com a minha opinião só, né.

O restante são filmes importantes que mereceriam também ser comentados, mas o post ia ficar imenso e eu com as costas podres...(já sinto uma dor na cervical).

Termino com aquele que jamais pode ser esquecido. Para mim o melhor filme de Almodóvar (todos ótimos). TUDO SOBRE MINHA MÃE fala de tanta coisa, meu pai, que eu fico pensando quem é esse espanhol que consegue fazer tanta coisa num filme só. Alinhavados pela prática do teatro estão na tela amor de mãe, homossexualidade, transexualidade, amizade, AIDS, prostituição, drogas, enfim, como diz minha querida Antônia Pereira: deus, o mundo e as cabras do seu Raimundo. Aqui, no nosso caso, as cabras do seu Almodóvar, esse mestre da ficação e da beleza.

Chega né, gente. Larga essa intenet e vá ver um filme sobre teatro, porque é gostoso demais.

Deliciem-se.

O PALCO NA TELONA - CLIQUE AQUI

Conto com vocês para aumentar essa lista. Indiquem nos comentários deste post novos títulos que eu não conheça ou tenha me esquecido.


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sábado, 27 de agosto de 2011

Vi o luar e Quero Protocolar





Acabo de chegar do espetáculo PROTOCOLO LUNAR, do Grupo OS IMAGINÁRIOS.


O luar, ah o luar!

Um ótimo lugar para recomeçar depois de mais de dois meses afastada das plateias de teatro. Um ótimo lugar para ver e comentar, com todo o carinho e respeito que tenho pelo grupo e seus integrantes. Com toda a emoção e alegria com que saio do espetáculo.

Uma poesia em cena, com imagens encantadoras, com uma atmosfera sutil e tranquila, lugar para ser leve, alegre e feliz.

Tenho o privilégio de ter assistido aos três espetáculos dessa gentil e bela companhia. O primeiro deles, Ciranda de Estórias me encantou pelo apuro estético e pelo vigor artístico-pedagógico que inaugurava na escola (corrijam-me se eu estiver errada) o trabalho com teatro de animação. O segundo, já um espetáculo mais maduro e tecnicamente mais elaborado - para mim o melhor do grupo - uma versão cruel de tão poética da obra de Samuel Beckett, Fragmentos.

Mas, voltemos ao luar, ou melhor, ao PROTOCOLO LUNAR:

A profundidade do belo palco do Martim Gonçalves ajuda a criar aquele universo imenso onde nos perdemos ao som da sanfona de Zé de Rocha e das virtuosas cordas de Tales Braches. Diretores musicais e compositores das canções executadas ao vivo. Belíssimo começo, meninos. A música é, para mim, uma das estrelas do espetáculo. E falar de estrelas num espetáculo como este não é pouca coisa.

O grande trunfo do espetáculo é, sem dúvida, a capacidade de produzir ali no palco, na sua inteireza e consistência, na sua fisicalidade e presença, a poesia, coisa assim tão tênue, tão volátil (eu adoro esse nome) tão etérea.

A presença dos bonecos (confeccionados por parte do elenco) e o belíssimo cenário - da própria Sônia Rangel que também assina texto e direção - junto com a trilha, como já se disse e com a bela luz de Pedro Dutra que não exagera nem na luz nem no escuro - é responsável direta por essa materialização da poesia. Poesia encarnada nas imagens. A força dos bonecos é tamanha que, para mim, o espetáculo começa de fato quando eles entram em cena.

A imponência dos belíssimos adereços já vai nos transportando pelo imaginário da proposta. Os sete livros da velha Senhora são verdadeiras obras de arte autônomas dentro daquele universo. No entanto, a cena inicial com as atrizes (na minha modesta opinião, é importante sempre lembrar) parece destoar um pouco do restante do espetáculo. A interpretação ainda está bastante didática, talvez pelo pouco tempo de espetáculo em cartaz, já que esta é sua primeira temporada. Não sei se é a expectativa da entrada dos bonecos, mas acho que a cena com a Menina e a Senhora fica devendo ao que o cenário propõe. Sinto que as atrizes ainda não estão introsadas (que comentário de futebol este, meu deus!) e que as falas saem ainda sem brilho, decoradas, educadas e disciplinadas demais para uma peça cujo universo é oposto a essa organização.

A narrativa verbal parece querer ser dona da história, sem saber ela que toda a história já está lindamente narrada nas imagens e na presença e interação dos bonecos. O excesso de falas, ainda que falas poéticas na maioria das vezes, faz com que as cenas sem os bonecos sejam um pouco cansativas.
Ainda em relação às atrizes, senti que elas mereciam uma maquiagem mais próxima do universo da montagem, mais ousada, mais inspiradora. O tempo todo eu sentia falta de uma maquiagem poética por assim dizer. O figurino da Menina (interpretada por Juliana de Sá) também fica muito a dever à visualidade da peça. Se o da Senhora (interpretada por Sônia Rangel) dialoga um pouco mais com a proposta do cenário e adereços, sobretudo o seu sobretudo (me permitam a brincadeira infame) o de Juliana passa longe de qualquer apuro na criação. Parece, a meu ver, que foi aquele último detalhe que não deu pra cuidar antes da estreia da temporada. Se for, que este seja um ponto importante para a nova temporada (que com certeza vai haver). Se não for, desculpem esta espectadora ousada e intrometida por demais.

Outro aspecto que a meu ver atrapalha a visualidade é justamente o que para o cenário é uma vantagem, que é a profundidade do palco. Atuando quase que o tempo todo na direita-alta (mais para o fundo do palco) os bonceos acabam por se perder na imensidão do palco. E ainda mais em se trantando de Martim Gonçalves, com uma plateia tão grande. Talvez seja o desafio de numa mesma peça ter que lidar com as especificidades do teatro de imagens e do teatro de bonecos - dos quais eu só entendo como espectadora mesmo. Para mim parece que a profundidade do palco favorece o primeiro e prejudica o segundo.

Eu tenho algumas restrições com peças que acabam-mas-não-acabam. Fico sempre achando que o segundo final tem que ser muito grandioso para merecer a pegadinha. Apesar de achar que em termos cênicos, o primeiro final era suficiente, a alegria e o encantamento da canção que encerra de fato o espetáculo fazem com que eu perdoe os dois finais. Terminei a peça, feliz.

Não posso deixar de comentar sobre a delícia de ver no palco as belas palavras de Sônia Rangel, que tive o prazer de conhecer em seus dois livros CASA TEMPO e OLHO DESARMADO, em suas aulas de mestrado e doutorado, como sua colega nos ofício da docência na mesma e querida Escola de Teatro da UFBA e mais especialmente, no universo criativo, quando seu primeiro livro serviu de inspiração para a construçao do espetáculo DORALINAS E MARIAS do qual fiz parte do elenco em 2009.


A poesia da presença da criança, da alegria, da imagem, da música, do imaginário, dos conceitos, da beleza de existir, tudo isso que caracteriza Sônia como artista, professora e pessoa, estão generosamente colocados sobre o palco e servido a nós, com toda humanidade e bondade que pode ser possível a um ser humano no ato de se doar, ato este chamado fazer teatro. Colocar-se como atriz, dividindo palco com seus alunos e colegas de pesquisa revela a generosidade e sabedoria dessa bruxa-artista que promove nesta linda história de amor sobre o palco, um lindo encontro da plateia com a beleza e a poesia.


Obrigada, Sônia Rangel. Obrigada, meninos IMAGINÁRIOS: Adiel Alves, Cláudio dos Anjos, Heyder Moura, Isis Fraga, Jeane Sánchez, Juliana de Sà, Ricardo Steward, Ruth Marinho, Vera Pessoa, Yarassarath Lyra.


FICHA TÉCNICA - Eu sempre roubo de outro blog.

DRAMATURGIA E DIREÇÃO: Sonia Rangel
CO-DIREÇÃO: Rita Rocha
ASSISTENTE DE DIREÇÃO: Yohanna Marie Assumpção
ELENCO:
Adiel Alves, Claudio dos Anjos, Heyder Moura, Isis Fraga, Jeane Sánchez, Juliana de Sá, Ricardo Stewart, Ruth Marinho, Sonia Rangel, Vera Pessoa, Yarasarrath Lyra
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL NO POEMA GRAVADO: Harildo Dêda
DIREÇÃO E PARTICIPAÇÃO MUSICAL: Thales Branche (violão) e Zé de Rocha (acordeon)
PREPARAÇÃO CORPORAL: Saulo Moreira
CENÁRIO E FIGURINO: Sonia Rangel
MONTAGEM CENÁRIO: Zuarte Júnior e Agnaldo Queiroz
CRIAÇÃO E REALIZAÇÃO DOS BONECOS: Jeane Sánchez, Juliana de Sá, Rita Rocha, Sonia Rangel, Wilson Júnior, Yarasarrath Lyra
CRIAÇÃO DE LUZ: Pedro Dultra
OPERAÇÃO DE LUZ: Camila Guimarães
FILMAGENS PARA A CENA: Mariana Dornelas
COMPUTAÇÃO GRÁFICA: Leandro Sena
OPERAÇÃO DE SOM E DE IMAGEM: Móises Victório
MAQUIAGEM: Renata Cardoso
FOTOGRAFIA: Isabel Gouvêa
CARPINTARIA: Ademir França
METALURGIA: Lico Santana
PROGRAMAÇÃO VISUAL: Solisluna
PRODUÇÃO: Sonia Rangel
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Yarasarrath Lyra com colaboração do Grupo Os Imaginários

sábado, 20 de agosto de 2011

INSPIRAÇÕES

Algumas imagens me convocam a criar.
 
Sempre quis fazer um espetáculo que levasse ao palco a sensação que tenho ao ver o copo de escovas de dente na pia. Esta é uma imagem que me convoca, me inspira me intriga.
 
Ela fala pra mim das relações da casa, da família, das visitas que vão e vêm, enchendo e esvaziando este espaço de convívio. Juntinhas, as escovas de dente encostam pés e separam cabeças com cedras que arrepiadas indicam o tempo passado e juntinhas, durinhas, indicam sua antipática e dolorosa juventude.
 
Amo as quatro escovas coloridas, pedaços de mim, meu amor e nossos filhos. Somos nós, dentro daquele copo. Em Jequié, minha escova pende em diagonal, sozinha no banheiro do fundo. Tão eloquente!
 
Outra coisa que me inspira são nomes para possíveis peças que eu faria. Como a imagem das escovas, eu não penso em mais nada além disso, desse impulso inspirador. Não sei avançar. Não trabalho nisso. Curto sozinha a criação. Isso é horrível.
 
São nomes que eu adoro. Como já quis botar em meus futuros filhos, quando eu tinha 15 anos, nomes como Cibalena, Adis-Abeba, Atrib, penso em nomes de espetáculos que me ganham pela sonoridade.
No momento, divirto-me com uma peça em minha cabeça. Seu nome?
 
Avec la participación....
 
Eu adoro ler isso nos filmes franceses ou em produções mistas. É tão sonoro, tão bonito. Aí, eu passo os dias vivendo este espetáculo. Penso nas cenas, vejo, me divirto... Avec la participación...
 
Mas, depois ela passa.
 
Tantas outras que eu já pensei, senti e conclui, sem nunca sair de mim. Isso é que eu chamo de teatro íntimo.
 
Adriana Amorim em: Avec la participación....
 
kkkkkkk. Adoro!
 
O que tem me incomodado porém, é que da fase da inspiração eu não passo. Falta trabalho.
Falta trabalho, porque é trabalho demais.
Ouço Mautner, Arnaldo Antunes, Gilberto Gil, Amy, leio Clarice Lispector, vejo a porra de sua entrevista, meu deus.... Queria fazer poesia ou música, tão mais paupável que teatro. O fazer mais pessoal, mais íntimo, mais possível...
Fazer teatro é difícil demais, minha gente. É um negócio grande, tão grande, envolve tanta coisa.
Num podia ser só isso, no nosso quarto, com a gente mesmo.
 
Ser atriz é uma escravidão.
 
Queria ser Cantora, compositora, escritora, pintora, escultora, afi Camile Claudel.
 
Mas canto e me dou conta que sou só atriz.
Escrevo e me dou conta de que sou só atriz.
Pinto e e me dou conta...
 
Quanta crise para quem ia falar de inspiração.

Mas, entre as escovas de dente e os títulos lindos que me enfeitam o dia-a-dia de professora e mãe, vou vivendo estes anos que passam tão rápido, como ônibus em estrada bem asfaltada.
Dentro de minha cabeça tem um mundo lindo. Mas não sai de mim. Ou aprendo a tirá-lo daqui, ou aprendo a ser feliz assim.


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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

SEGUINDO MACBETH - EM CARTAZ NO XISTO BAHIA

Seguindo Macbeth
O rebanho de atores tem no imaginário popular sua maior referência. A teatralização do cordel Militão, Brosogó e o Diabo, de Patativa do Assaré, ou a cordelização do clássico francês de Edmond Ronstand, Cyrano de Bergerac são talvez nossos maiores ícones.

Mas, em 12 anos de existência, o rebanho não se acomodou nessa compreensão estilizada do popular e boa parte destes anos de trabalho é dedicada ao estudo da obra de William Shakespeare, o grande homem do teatro popular.

Adaptção do rebanho de atores - Prêmio Carlos Petrovich - FUNCEB

O Sertanejo, Os Ovos de Militão















Alam Félix além da paixão incodicional pelo bardo inglês, tem um aprofundado conhecimento de parte de sua obra, das teorias sobre seu trabalho e de sua biografia. São horas e horas de leitura diletante, por puro prazer. De Heliodora a Harold Bloom, ele lê como se lesse um romance leve. E eles não são leves. Não pra mim...

Eu respeito o ídolo, mas a paixão não chega a ser nada avassalador. Admiro seus diálogos, os personagens me encantam, as histórias, e muitas das re-leituras de sua obra também me chamam atenção, mas definitivamente não é minha grande tara.
Do Cyrano, adaptação do rebanho de atores para Cyrano de Bergerac, no auditória do Colégio Noêmia Rêgo, em Valéria. Projeto vencedor do Edital Myriam Muniz de Teatro - 2007

Talvez por isso mesmo, em determinado momento do grupo, nós nos dedicamos a nossos projetos pessoais. Eu toquei o Solo Compartilhada, com texto e direção minha, inspirados em Denise Stoklos, Caetanos Veloso, Torquato Neto e, sobretudo, na minha cachaça particular, Adélia Prado. Alam tocou Seguindo Macbeth.



Seguindo Macbeth ficou em cartaz na Sala 5 da Escola de Teatro, como mostra da disciplina na qual foi gerado, depois apresentou-se no Festival da Cooperativa, o Lá Vem a Cooperativa Ano II, e em uma versão reduzida, com direção de André Mustáfá, foi um dos finalistas baianos do Festival de peças curtas do Rio de Janeiro.
Nesta adaptação, a figura do rei sanguinário ganha as ruas de um lugar qualquer, de um tempo qualquer e suas inquietações, dúvidas, vaidades, maldades desfilam na nossa cara, de um jeito agressivo, cruel, tosco.
Um exercício de pesquisa de ator, de experimentações cênicas, de transposição de universos, enfim, uma ousadia que talvez incomode, mas que em nada deixa a desejar às inúmeras experiências contemporâneas de encenação.

Deixo o restinho para vocês irem conferir e volto a comentar depois da estreia, com direito a Gol do Espetáculo e Dez Minutos com...
Vejo todos lá, nas quintas-feiras de agosto, sempre às 20h no Xisto. Eu não me lembro o valor do inrgesso, porque sabem como é, né, a pessoa tá em Jequié e não dá pra produzir nessa loucura.

Vale sempre lembrar que esta temporada faz parte do projeto COOPERATIVA EM CENA que durante todo o ano ocupa diversos teatros da cidade com espetáculos do repertório de seus grupos. vale a pena entrar no blog da cooperativa (clique aqui) e conferir a programação.

Espero vocês no teatro e depois a gente toma um café aqui no blog, debatendo e comentando a peça do meu querido parceiro de grupo e amor pra vida toda...


SERVIÇO

Seguindo Macbeth
Texto: Cícero Ferreira
Direção e atuação: Alam Félix
Teatro Xisto Bahia
Todas as quintas de agosto
20h



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