segunda-feira, 29 de novembro de 2010

TORÇO - TORSO

Estou envolvida com uma atividade da Profª Sônia Rangel, da disciplina Processos de Criação, onde nossa tarefa é conseguir transportar o princípio da nossa pesquisa numa obra artística.

A atividade é desafiadora e tem-me tomado boa parte do pouco juízo que eu tenho. Mil coisas passam pela cabeça, dessas mil a gente dispensa mil e quinhentas e pensa de novo e se pergunta e não se responde, e visualiza o negócio pronto.

Eu tenho um processo de criação que experimentei em Solo Compartilhada que parte muito de idéias e que se concretiza apenas diante do público. Vou organizando no papel roteiros do que penso ser o produto final e isso vai tomando rumos sempre diferentes. Essa criação acontece todo o tempo. No ônibus, no banho, no vaso sanitário, dormindo, lavando louça...

Não consigo ensaiar as cenas, apenas visualizá-las. Texto meu, também não consigo colocar a priori. Escolho textos de autores com os quais identifico proximidades no processo de criação e eles preenchem algumas cenas. Pela experiência do Solo, textos meus acabam entrando, mas sempre na cena, no quente, na frente do público.

Não estou inventando nada. Minha inspiraçaõ primeira vem de Denise Stoklos e seu Teatro Essencial. Além de fazer um trabalho baseado em minhas próprias experiências, o que trago de mais forte é o fato de viver o risco ali, na frente do público, onde o processo artístico há de acontecer, como um artista de circo, que vai para o tudo ou nada. Claro que meu risco é menor, posto que não é físico, mas garanto, o medo é enorme, e, segundo Denise, é essa possibilidade do medo do ator, de sua coragem de encarar o risco que atrai o público.

No caso do futebol o momento é parecido. O jogador que passa pelo túnel que o leva do vestiário ao gramado, não sabe qual seráo resultado. Não sabe se vai fazer ou perder um grande gol. Não sabe se vai se machucar, levar uma porrada definitiva. Vai para o tudo ou nada. Uma verdadeira batalha de baixo do sol, regada a muito esforço físico. E isso encanta!!!

Bom, amanhã estarei entregue à força da cena. A inspiração inicial e que permanece como princípio é a imagem do alambrado e a polissemia da palavra torço (que se manuscrita podemos brincar com o s ou com o ç, alcançando diferentes sentidos).

Torço para que meu torso aguente.
Torço para que um torço me enfeite!

domingo, 28 de novembro de 2010

HOJE TEM ESPETÁCULO? TEM, SIM SENHOR!!!!

Final de ano é uma delícia em Salvador.

É verão, praia, ensaio de bandas para o carnaval.

Mas, é também a alta temporada de estréias no teatro.

Assim, tô aqui com a agenda cheia, sem dar conta de tudo. Tem O pragama, de minha querida amiga Ana Paula Antar, que eu já divulguei aqui. Tem As velhas, do meu mestre querido Luiz Marfuz. Tem Dias de Folia de Jacyan Castilho, tem A Bença do Bando, tem a volta de MPB - Mulher Popular Brasileira da É cia de Teatro, parceira de Cooperativa. E tantas outras que eu com certeza deixei de comentar mas que vale a pena conferir. Em época de final de campeonatos de futebol, o teatro baiano decola e nos convida a experimetarmos essa vida paralela, esse universo possível, esse mundo inventado.

A gente se encontra por aí, numa platéia qualquer desses teatros soteropolitanos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

DEZ MINUTOS COM PAULO HENRIQUE ALCÂNTARA

Que Paulinho é um grande amigo, muita gente já sabe.

Juntos já fizemos poucas e boas no Cuida Bem de Mim, no doutorado, na vida. Uma grande amizade, regada a muita admiração profissional. Seus espetáculos têm a marca do primor e do cuidado. Bolero, Lábios que Beijei e a mais recente Partiste são algumas das obras escritas e dirigidas por ele. No doutorado, onde somos colegas, Paulinho investiga o lugar da memória na escrita dramatúrgica, de onde deverá sair, para nosso deleite, uma trilogia dramática.

Aproveitem este momento descontraído, com uma linda paisagem verde no assustador frio de novembro na Paulicéia Desvairada.

Clique no link: http://artedoespectador.blogspot.com/p/dez-minutos-com.html

sábado, 6 de novembro de 2010

EU E RUBEM ALVES - A Professora e sua referência



"As nossas escolas são construídas segundo o modelo das linhas de montagem. Escolas são fábricas organizadas para a produção de unidades psicossociais móveis, portadoras de conhecimentos e habilidades. Esses conhecimentos e habilidades são definidos por agências externas para quem se conferiu autoridade para isso. O modelo estabelecido por estas agências é obrigatório e tem a força das leis. A unidade psicossocial móvel que ao final do processo não estiver de acordo com tais modelos é descartada. É a igualdade que atesta a qualidade de nossos serviços. Não tendo sido aprovado no teste de qualidade-igualdade a unidade psicossocial móvel não recebe o certificado ISO 12000, vulgarmente conhecido como diploma." RUBEM ALVES

Quem já viu o espetáculo Solo Compartilhada ou já participou de uma aula minha, muito provavelmente conhece estas palavras. Ou conhece as aventuras de Dinéia dos vídeos dos quatro pilares, ou algum conto ou aforisma deste bondoso senhor.

Rubem Alves é teólogo, professor, escritor, filósofo e grande comentador da experiência humana. Também dizem que ele é escritor de livros de auto ajuda, o que significa dizer, hoje em dia, que é filosofia barata. Eita que a distinção corre solta e não pode um autor ficar popular que já se esmeram os sabidinhos em lhe tirar qualquer valor, menosprezando não só o público que o consome, como também sua obra a partir daí.

O fato é que muito do que digo e pratico no meu dia-a-dia com meus filhos, com meus parceiros de educação (estudantes e colegas), com amigos, conhecidos e mesmo desconhecidos é fruto das leituras que faço de sua obra. De linguagem simples e sabedoria impressionante, os textos de Rubem Alves assustam pela possibilidade de realidade que exalam quer de suas páginas quer de sua doce voz.

Esta foi a segunda vez que tive o prazer de assistir a uma de suas palestras. Na outra, não tinha ido tão longe. Desta vez eu dirigia um evento da SEC (TAL - Tempo de Arte Literária - um concurso de Literatura realizado pelo Governo do Estado em todas as escolas da capital e interior - sim, importantes coisas tem sido feitas sem que a gente conheça) e a abertura seria feita por ele.

Tive o prazer de conhecê-lo no hotel onde almoçamos e trocamos algumas palavras. Peguei autógrafo e tirei umas fotos, como toda tiete. Depois de José MIguel Wisnik e Rubem Alves, quem sabe eu não encontro Adélia Prado lá em Sampa? Ou outro autor que me convoca? Bom, é isso. Curtam as fotos e visitem o site. Se for auto-ajuda, melhor, que todo mundo precisa né. Já imaginou o sofrimento de viver à base de auto-boicote? Se  você tiver experiência no meio pedagógico, com certeza vai encontrar importantes pistas de uma educação radicalmente nova, radicalmente mesmo.

P.S.: Para os desavisados, a loira sou eu mesma, viu. Coisas de mutante. O rosa é da foto, na hora a gente tira com o equipamento que aparecer, meu bem.








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